MVDRM122 - A Manifestação da Vontade de Deus (Rm 12. 2).

A manifestação da vontade de Deus. 

 

"Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus". 

(Romanos 12. 2 - NVI).

 

 

            Apesar de em certos momentos compartilharem de objetivos semelhantes, em nada se assemelham. Religião e igreja só possuem uma ligação; pois onde começa um, termina o outro. A religião possuí forte caráter disciplinar, dedicatório. E isso faz de toda e qualquer religião, boa para domar a alma rebelde dos homens.
           
Mas, existe um lugar que a religião não consegue alcançar e geralmente é esse lugar que precisa sofrer as maiores e mais bruscas mudanças. A religião é a forma mais primitiva de se relacionar com o místico, o sobrenatural. No entanto, sua natureza rudimentar impõe peso a qualquer voo mais alto. Não é fácil disciplinar a alma dos homens, ainda mais num mundo que recebe grande contribuição cultural de tais almas. Mas, nem todas as almas indisciplinadas produzem cultura. A grande maioria delas produz morte, descaso e caos. Aqui, a religião tem papel importantíssimo junto à sociedade.
           
Quando Paulo escreve carta para os Romanos, a religião tem para eles uma importância enorme. Para eles, crer em alguma coisa era uma questão de segurança nacional e se uma pessoa não adorasse um deus qualquer era vista com maus olhos. Para essa cultura e pessoas, Paulo lança as bases de uma verdade sem igual. E essa verdade está enterrada no solo da religião.
           
A primeira chamada da religião é feita por Paulo, e é para a dedicação total. Não uma dedicação impensada, emocional. São sacrifícios racionais, perdas calculáveis. Nada que possa ser feito por força ou violência. E quem ensina tais coisas, depois de tê-las aprendido, deve ter muita paciência e tato. Outro aspecto forte da religião é transformar o adorador em algo semelhante ao que adora. A religião trabalha com moldes, modelos e exclusividade. Seu sucesso depende em muito desses dois processos serem bem realizados. Completando esse processo, uma pessoa terá bem sucedida vida religiosa, e dessa forma, encontrar solução satisfatória para seus dilemas mundanos. Todavia, por melhor que seja o método de uma religião, jamais ele poderá levar alguém para o céu. E é daqui que começa um outro Caminho; que conduz Ele só, os homens aos céus; ao Reino de Deus. Sem um Deus vivo, o Cristianismo poderia ser considerada mais uma religião. Mas, por causa de Cristo, somos nós os que vivem! A reunião inconfundível dos que habitam na luz! Vocacionados a santidade pujante! Por que temos Cristo, somos o ajuntamento que transcende, que vai além. Isso, por causa do vivo e novo caminho que Ele abriu em Seu sangue. Após ter ressuscitado, se tornou Ele Senhor dos vivos e dos mortos.

           
Como mágico que tira coelhos da cartola, Paulo surge com a compreensão do que é a igreja. A igreja é o veículo disponível para os homens irem de encontro a Deus.  Cobertor que aquece a alma de homens cansados desse mundo e da frieza de suas religiões. Posso afirmar com segurança que sem Cristo a igreja é uma máquina de invisível quebrada, que ao ser vista pelos homens, facilmente é reconhecida com mais uma religião.  Para Paulo, o relacionamento com Deus é que caracteriza um ajuntamento que pode ser considerado igreja. Com frequência Paulo fala sobre a influência que a VONTADE de Deus tem sobre seu ministério e vida, e aqui ele esclarece qual é sua compreensão sobre o GOVERNO de Deus e sua atuação em nós. Fica claro, que esse é um segundo passo; que o primeiro foi aceitar a natureza disciplinar que vai nos possibilitar a mudar nossos hábitos e conseqüentemente o pensar (v. 2a). Para Paulo, aqui começa a nova vida.

A BOA VONTADE – quando Deus fez o mundo, viu que tudo era bom. Bom era a palavra que finalizava o dia de criação. Quando Jesus nasceu os anjos declararam ser aquilo, boa vontade de Deus para com os homens (Lc 2. 14). Entendemos que nem sempre se consegue finalizar algo que se começa e isso não é bom. Começar e terminar nem sempre são ações que caminham juntas em nossos relacionamentos e atitudes. Paulo diz que Deus é poderoso para dar fim à obra que Ele começou em nós. Em Jope havia uma discípula notável pelas boas obras que realizava e Davi alcançou lugar favorável no coração do povo por sempre dar bom fim as suas obrigações militares. A Boa Vontade de Deus é uma benção que se estende sobre as nossas ações, o nosso trabalho.
 

A AGRADÁVEL VONTADE – Quando Paulo escreve a Timóteo, lhe adverte a não queimar etapas em sua caminhada ministerial. Suas conquistas deveriam em tudo ser legítimas e verdadeiras. Ele deveria andar em integridade se quisesse que Deus andasse ao seu lado. Para maiores efeitos, é bom lembrar que Deus anda com os homens que escolhe e que isso lhe agrada. Abel encontrou aceitação em sua oferta diante de Deus, por que seu andar agradava a Deus. Quanto a Enoque, por que Deus o tomou para si? Não deixando ele experimentar a morte? Também não foi por causa de seu andar? E por ventura não foi por causa de seu andar que Noé foi poupado de morrer junto com sua geração tão perversa? Ora, Deus é Espírito, e é impossível aos que querem andar na carne lhe agradar. Todos os homens que andam no espírito guardam em seu coração os mandamentos Dele e fazem dessa forma aquilo que lhe é agradável (I Jo 3. 22). Deus não só anda com homens; Ele dança e se alegra com eles. Transforma suas vidas em uma música com poucos desafinos. E se é para ser como uma dança, tem de ser sem reservas, sem timidez. Como Ele se fez para conosco, assim devemos nos fazer para com Ele: Homem; simplesmente homens. A Agradável Vontade de Deus é a benção de ter Deus andando conosco.
 

A PERFEITA VONTADE DE DEUSQuando nossas ações e caminhar obedecem a leis e regras que só o coração entende, chamamos isso de crença. A crença é o que norteia nossa caminhada. Não importa se são caminhos de paz ou de vale de sombras. É a crença que sustenta nossas ações e caminhar espirituais. Podemos dizer que a crença é o que possibilita o agir de Deus em nós, é ela que faz o caminho por onde Deus nos conduz. A crença é uma forma de sentir a Deus e a Sua vontade. Por ela Deus produz em nós aquilo que devemos reproduzir nos outros; que são sentimentos como os de Cristo Jesus. À medida que a nossa crença é fortalecida pela compreensão da Perfeita Vontade de Deus, somos tomados pelo sentimento de estar fazendo a coisa certa. A crença aponta para o alto, para o invisível, o inacreditável. Por causa de sua crença inabalável Jesus manteve firme decisão de ir para Jerusalém, para dar a sua vida por nós. Ele estava tomado do sentimento de estar fazendo a coisa certa diante de Deus. E esse sentimento (crença) deve existir em todos nós, pois é ele que nos leva a ter esperança e atitudes crescentes (Lc 9. 51). A crença em Deus não produz frutos sem estar amparada na Perfeita Vontade de Deus. Sem essa crença imbuída, diz Paulo; não há amor, não há sinceridade, nem honestidade. Tão pouco há bondade, dedicação, honra, zelo, fervor (Rm 12. 9- 11). Sem a Perfeita Vontade de Deus, essa crença não serve aos interesses de um Deus que é Espírito (Jo 4. 24).

 

Cada um vive de acordo com o que sabe, e agora, eles sabem como Paulo vive. E para todos os que desejam ser bem sucedidos nesse caminho, aí está, o verdadeiro Apóstolo, modelo de fé e atitude; crença e verdade. Ele é um dos fundamentos da igreja, isso é, intocável, inatingível. Colocado lá séculos atrás, como uma das bases de tudo. Todas as transformações que Paulo cita em ROMANOS 12 só são possíveis por causa da compreensão da vontade de Deus. É Ela que nos faz deixar de ser pessoas comuns, um ajuntamento qualquer, que por qualquer coisa é alterado. A religião faz os homens pensarem diferente, e a darem novas razões a velhas causas. Alguns se sentem renovados em seu ânimo de matar e ferir os outros. Usam a fé para legitimar seus ódios de sangue. A religião não vence o mal, às vezes, até o anima. Basta uma crença vazia para o mal vencer. No entanto, vencemos o mal quando nos deixamos conduzir em tudo pela boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

 

Ney Gomes – 10/02/2010. 04:29 am.

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