C. de Eliseu - Pouco Dedo, Pra Muita Ferida!

Comentário 13.

Pouco dedo, pra muita ferida!

 

"E Ele designou alguns para profetas...".                                                

 

"Também havia muitos leprosos em Israel no tempo de Eliseu, o profeta; todavia, nenhum deles foi purificado - somente Naamã, o sírio".

 (Efé 4. 11/ Lucas 4. 27).

 

Ao lermos escritos antigos, podemos confirmar que a nação de Israel foi uma nação à frente de seu tempo. Por mais primitiva que parecesse, Israel observava certas regras que lhes garantiam um bem estar espiritual e social (Nm 5. 1-4). E uma das coisas que Israel sempre tratou com seriedade foi a "lepra", uma doença com forte apelo social. A lepra reprovava qualquer pessoa para o exercício do convívio (e o homem é por natureza uma criatura social).

Numa época em que conceitos de limpeza e pureza eram sinônimos de religiosidade, ter lepra era praticamente um ateísmo. Após a lepra a vida social se tornava distante e intangível.

Mas o trato com a lepra variava de acordo com a saúde espiritual da classe sacerdotal, que muitas vezes não estava em sintonia com Deus e com o bem estar coletivo (Sf 3. 4). Segundo estudiosos, a lepra é o que de melhor representa o pecado, dado seu aspecto anti-social. No antigo testamento somente o sacerdote poderia dar um parecer certo sobre a lepra e seu portador (Lv 13. 45, 46). Muitas vezes, os evangelhos relatam a busca constante e esperançosa dos leprosos a Jesus (Mt 8. 1-4 e 11. 5/Lc 17. 11-19). Mas na mesma época em que Jesus exerceu seu ministério, havia uma lepra da qual ninguém queria falar, da qual ninguém podia falar, da qual todos tinham medo de falar: - A lepra de Simão o fariseu -.

Apesar de pequena, os fariseus haviam se tornado na influência religiosa e social mais poderosa de Israel, chegando algumas vezes a se confundir com o próprio conjunto de valores observados por eles (At 23. 6). Simão tinha lepra, mas já estava por demais contaminado pelo pecado em sua alma para reconhecer essa miséria em sua carne (Ef 2. 1/Is 1. 4, 6). Porém para a sua classe ele era um homem sem igual, com qualidades que vitalizavam as idéias do partido. Simão era um homem indiscreto, que com sua história pessoal abria para os fariseus o dialogo com quem fosse possível manipular (Lc 7. 36). Convidar Jesus para uma ceia em sua casa demonstra isso. Diante dessas qualidades, a lepra de Simão era um assunto proibido no meio do povo. Se viver sem direitos, pagando altos e injustos impostos e como escravos de Roma era difícil, ser perseguido pelos fariseus era ainda pior (Jo 9), e esse era um risco que poucos queriam correr (Jo 11. 46-53). Quando leio os relatos sobre Simão o fariseu nos evangelhos, chego à conclusão que ele é a pessoa mais sã de toda essa história. Doença grave é não conseguir mais apontar o pecado por falta de retidão pessoal (poder moral – Pv 17. 15/Is 5. 20). E a sociedade que viveu ao redor de Simão estava doente dessa enfermidade (Is 1. 23). Atitudes como essas adoecem o mundo mais rápido que a lepra silenciosa (Mt 5. 13). Faltou nessa história profetas vocacionados, homens com coragem de assumir o risco de defender a verdade de Deus, colocar o dedo na ferida. Simão era leproso, mas para Jesus (o único que apontava a lepra de Simão abertamente) a doença pior não estava nele e em sua casa, e sim no povo que evitava para a manutenção de seu bem estar, falar sobre esse grave assunto (Os 4. 1-9). O silêncio da igreja frente ao mundo contribuí para a degeneração dos seus tecidos sociais mais importantes, como a família, o ministério, a honra, o casamento, a lealdade e a verdade (Ef 5. 11, 12). No mundo em que viveram, Eliseu e Jesus foram capazes de apontar o que era fato, sem deixar de oferecer meios de ajuda. A cura começa com o reconhecimento da doença e a necessidade de tratamento. Profetas são médicos sociais que ofertam diagnósticos gratuitos para aqueles que desejam se tratar com o remédio que Deus ofereceu para o pecado: CRISTO!

A lepra espiritual que se instala em nossas igrejas, entra pelo silêncio pernicioso que fazemos frente ao pecado de nossos irmãos, amigos e lideres (Gl 2. 11-18/Mt 24. 11, 12/Ef 4. 27/I Tm 5. 20). Uma sociedade Cristã, instalada numa comunidade local pode adoecer só com o rumor dos pecados que não quer averiguar (Ap 2. 20a/1 Coríntios 5. Leia!). Precisamos orar e pedir a Deus que nesses dias os trabalhadores que Ele chamar para Sua seara, além de servos sejam também PROFETAS (Mt 9. 38). Porque senão corremos o risco de daqui a pouco, as melhores pessoas da igreja serem como os "crentes" Ananias e Safira! (At 5. 1-10).

 

"Ignorar o mal é tornar-se cúmplice dele". (Martin Luther King Jr)

Ney Gomes.
            "Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10

 

 

 

- Profeta no N.T. – Os profetas aparecem no N.T. ligados de forma íntima aos mestres, ou aqueles que ensinam (At 13. 1/1 Cor 12. 28, 29/Efé 4. 11). Precisamos levar em conta que a origem da profecia de nosso tempo está em Cristo e em seu desejo expresso de edificar a Sua igreja. O melhor amigo do profeta é o mestre, aquele que tem conhecimento da palavra de Deus. E não poderia ser diferente uma vez que o profeta deve ser dono da capacidade de julgar a sua própria profecia e a de outros (1 Cor 14. 29). Nos fica bem claro que o profeta descrito no N.T. é aquele que se esmera para fazer valer "na igreja", mesmo que em confronto direto, toda a determinação apostólica que nos ensina que a igreja é edificada se levando somente em conta os interesses de Cristo Jesus (Efé 2. 20).

 

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