Igreja - Mecânica Básica Espiritual.

MECÂNICA BÁSICA ESPIRITUAL.

"Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai..." (Lc 15. 18 – NVI)

 

Por detrás de toda e qualquer máquina sofisticada, existe um mecanismo básico, que funciona quando tudo o mais para. Para autopreservação ou proteção da vida humana. Uma coisa que funciona perfeitamente (ou deve) quando tudo dá errado. Como um pino de segurança da panela de pressão, um disjuntor, uma válvula de escape, um fusível ou um led que pisca. A vida se fosse perfeita, como era no Éden, não precisaria de tal engenharia. Todavia, Deus nos deu tais coisas e lhes nomeou "relacionamentos".

Infelizmente, esses dispositivos não estão imbutidos na vida. Eles precisam ser criados bem no ínicio de tudo; em casa, com os pais. Na igreja, com os irmãos e quando a vida começa, com os amigos, na escola. Por que a vida de ninguém dá certo até o final. E esse é o legado de nosso pai Adão. Esses mecanismos precisam existir por que na vida para lucrar nós nos arriscamos demais. Apostamos no amor, nas pessoas, nas coisas, em nós mesmos, no incrível. E nem sempre, alcançamos o êxito que estava em nossas imaginações. E o que fazer nessa hora? Se matar? Matar o marido, a esposa? Dar um tiro no chefe? Uma facada na professora? Colocar uma bomba caseira no shopping do bairro? Ora, os que tais coisas fazem não possuem esse "mecanismo primário de segurança". São pessoas perfeitas sem acessórios. Um carro zero, sem som e sem alarmes.

Como pai, preciso ensinar a Hellen e ao Lincon, que, caso tudo dê errado, eles sempre terão com quem contar. Preciso construir neles esse sentimento. Antes que eles construam os seus sentimentos e pensamentos (v. 12). Preciso colocar isso lá, antes da torre de individualidade que eles vão erguer. Uma coisa que só vai se acionar, quando tudo mais der errado, quando o resto desengrenar, quebrar sem jeito para concertar. Esse mecanismo de confiança são relacionamentos em que se pode descansar. Onde a gente se renova; se organiza e se estabiliza. Onde as palavras e os sorrisos são verdadeiros, onde o pouco é muito e o muito é esperança. Relacionamentos que nos fazem confessar a nós mesmos que nem tudo está perdido e que o fim ainda está distante (v. 17).

Esses mecanismos não podem ser construídos em qualquer lugar e por qualquer pessoa. Eles são a base de tudo e devem existir na base de tudo! Gente que constroi o escoadouro de suas lágrimas e o depósito de seus segredos. Gente que te olha e sabe bem, onde estão as coisas que te alegram e assustam. Gente para onde você vai pedir conselhos sobre você mesmo. Seu manual informal de instruções. Gente que te faz crer que voltar de mãos vazias é importante e que ir sem nada é garantia de muita coisa (v. 22).

Assim foi Jesus para Pedro, e assim Jesus o É para todos nós. Mas é preciso que haja outras pessoas, e a essa necessidade Deus chamou família, igreja e amigos. São pessoas que recebem as nossas confissões sem questionar, sem duvidar. Elas sabem que fomos treinados para voltar no automático, quando o sofisticado painel de controle falha (v. 18). Por isso, muita gente some no mundo, indo cada vez para mais longe e se perdendo ainda mais. Até as aves e os peixes possuem senso de direção; sabendo voltar para seu lugar de origem, mesmo quando do outro lado do mundo (Jo 17. 11). E não saber para onde voltar é a "mãe de todas as tragédias". É estar preso em um labirinto sem paredes. Voltar é importante, por que às vezes, como no caso do filho pródigo, o lugar que deixamos é cheio do significado que jamais deveríamos ter abandonado (v. 17).

"Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai".

 

Ney Gomes.

"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10

 

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