Mosaico Davi - Comer Muito Mel Não é Bom (2004).


COMER MUITO MEL NÃO É BOM.

““Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi”.” (I Sm.18: 9).

   
          Ninguém é melhor do que Salomão, quando o assunto é ser provado pelos louvores (Pv 27. 21 – Pv 25. 27). Pela quantidade de riquezas, pelo poder e glória de seu reino, todos os dias o rei Salomão recebia diversos elogios, parecia até ser uma solução elaborada para testar a humildade de seu coração. Pode parecer incrível, mas um elogio pode destruir um individuo e uma amizade, e é isso que eu quero administrar ao seu coração ao longo dessa leitura (ver o caso de Caim, ele observou a aprovação ao seu irmão, esquecendo-se até mesmo de sua desaprovação, prova disso é que ele matou seu desagrado, sem ao menos pensar em melhorar a sua oferta - Gn.4).

                 Bastou um elogio, para que Davi passasse mais ou menos vinte anos de provação. Ao ver Davi sendo reconhecido por seus méritos Saul temeu, temeu perder seu reino, seu prestígio, seu lugar no coração do povo. Isso nos mostra o quanto pode sofrer um líder que coloca seu ministério sob a aprovação popular, deixar um bem espiritual receber julgamento humano. Por seus medos e temores Saul jogou Davi no vento, assim como suas esperanças e sonhos. Aquele elogio das mulheres evocou em Saul um sentimento muito íntimo e secreto. Um sentimento de inferioridade, de insegurança, de infantilidade posicional. Saul não entendia que ele agora estava num período de sua vida chamado consolidação, ele por várias vezes havia lutado e vencido os inimigos de Israel, ele já havia passado pelo estagio da luta e da busca pelo reconhecimento, ele era rei e qualquer vitória em seu reino, seria também sua vitória (Saul lutou a vida inteira contra os Filisteus segundo a Palavra de Deus, além disso, tinha bons olhos para escolher homens valentes, isso era reconhecido até pelas Escrituras - I Sm.14: 52).
Davi estava começando a ter algumas vitórias, mas nada que ameaçasse o trono de Saul. Durante anos aquele elogio provou o coração de Davi, enquanto ele estava na caverna devia pensar no que lhe custou à dança e o cântico daquelas mulheres. Um elogio que gerou um impasse nacional, que só terminou com a morte de Saul. O que mais me chama atenção é que Davi admirava Saul tanto quanto o povo lhe admirava (18: 16/ Pv.14: 28), de repente como quase certo, até mais do que imaginamos, pois ao poupar a vida de Saul por duas vezes, Davi estava também mantendo vivo um herói nacional (Pv.30: 31). A pior forma de medo é quando tememos aquilo que é atribuído como qualidade aos outros, como Saul (18: 7). Ao tentar cravar Davi na parede com uma lança, Saul revela aquilo que esta no coração de muitos lideres e pastores da igreja hoje. Uma disposição doentia de eliminar alguém que só tem mesmo ao seu favor entusiasmo e nada mais. Saul não temia as vitórias militares de Davi, ele temia seu carisma, sua simpatia, sua dedicação. Saul tinha ídolos em seu coração (Ez 14.  3), isso servia de portal para demônios, do tipo que trabalham com invejas e ciúmes (Mt 27. 18/At 7. 9). Como pode o carinho de um homem atrapalhar os negócios do rei? E como pode um rei se rebaixar a tanto? (Davi lembra ao rei, que diante de sua importância, ele é igual a um cão, uma pulga - I Sm.24: 14).

                 Deus te chamou para ser rei, por isso tome cuidado com os elogios, não deixe eles te cercarem com frequência (Pv 25. 6), pois você nunca sabe onde vai encontrar um Saul, que necessariamente não precisa ser seu pastor, pode ser um patrão, um amigo ou até mesmo um parente bem chegado. Uma coisa que Saul nunca conseguiu conceber é que as vitórias de Davi no campo pessoal ou coletivo só firmavam ainda mais seu trono e sua posição diante da nação, não como conquistador, mas como rei sábio que escolhe bem seus capitães; outro tipo de vitória (Pv 22.  11). Um simples elogio nos deu mais de vinte anos de histórias de tristezas e perseguições. Tomemos, pois cuidado então pelo nosso coração e cuidado pelo coração dos outros.  Sem o corpo não dá para liberar atestado de óbito.

É isso que tenho a dizer!
Ney Gomes - 08/07/2004.


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