Devocional - Um Novo Apóstolo Para Cada Lugar [At 18 e 19].





UM NOVO APÓSTOLO PARA CADA LUGAR!
Leitura Contextual: Atos 18 e 19.
           
Paulo ainda sentia na alma o desânimo e a indiferença dos Atenienses. Como se não bastasse, até Corinto, tudo o que conheceu foi dor e perseguição. Paulo deixava para trás a frieza dos mármores de Atenas, para encarar as ruínas de Corinto. Uma cidade sinistra, perversa e nefasta. Que durante anos, consumiu a saúde e a atenção de Paulo. Mas, o seu desânimo não tinha voz, e foi mais uma vez arrastado por sua obediência a Cristo. Ali, ele encontrou um pequeno conforto, eram Priscila e Áquila, também judeus, também interessados nas coisas espirituais.

         As notícias que alegravam seu coração, não nasciam dali, escorriam de lugares distantes, por meio de outros (18. 5). Todo o dia Paulo sentia temores e às vezes, lhe fugia da alma a esperança de viver (2 Co 1. 8). Corinto era pura guerra espiritual, cidade pesada, carnal, com cheiro de desejos imundos e impiedosa (1 Co 6. 8). Pesava-lhe ainda o fato, de ele ter chegado até ali, com todas as suas expectativas em baixas (17. 32). Paulo havia chegado a Corinto operando no “volume morto” de suas reservas espirituais.

         Por causa disso, um medo crescente foi se alastrando em seu coração. Fomentando um desejo cada vez mais forte de abandonar a cidade. Até mesmo com seus patrícios a hostilidade alcançava níveis bestiais (18. 6). O mal parecia em Corinto uma fina farinha de trigo, que em todo lugar penetrava (1 Co 5. 1). O efeito disso era uma espécie de paranoia e alucinação. Era fácil em Corinto pensar que todos te odiavam e não te queriam bem. Com o tempo, Paulo passou a sentir esses efeitos! Mas numa noite, o Senhor Jesus lhe apareceu numa visão, dissipando assim todos os terríveis efeitos acumulativos que a cidade depositava sobre a alma: “Não tenhas medo! Continua pregando e não te cales. Pois Eu estou contigo, e nenhuma pessoa ousará fazer-te mal ou ferir-te, porquanto tenho muita gente nesta cidade”. (18. 9, 10 – KJA)

         Numa cidade plural, Paulo conheceu o poder que o levou a sair de Corinto: A unanimidade de seus opositores! Aquilo foi o sinal que apontava para a hora de seguir adiante, e dias depois, Paulo decidiu partir. Mas, era preciso fazer algo para não chegar a outro lugar, como ele chegara ali. Cansado, exausto, sem forças e desanimado em extremo. Era preciso fazer algo para desintoxicar a alma da atmosfera de Corinto. Paulo então assume um voto, cuja natureza nada sabemos. Cumprido o tempo, ele raspa a cabeça e segue viagem.

         Com muita gratidão no coração pelos livramentos e cheio de novos desejos, ele raspa a cabeça. Era tempo de deixar crescer novas experiências, novas expectativas, novos sonhos e novo cabelo. Ele viajou bastante, não ficando muito tempo em lugar algum (18. 20). Deixando novos ares renovarem o seu novo homem interior. E funcionou!

         Durante a sua viagem um pedido feito em Éfeso fica retornando em seus sonhos e a sua resposta está sempre em sua mente: “Se Deus quiser, voltarei para vós outros”. (18. 21)
Seu coração e suas palavras lhe trouxeram de volta à Éfeso. Onde ele viu seu Evangelho acontecer sob um novo entusiasmo e cheio de frescor. “Deus fazia milagres maravilhosos por meio das mãos de Paulo de tal maneira, que até lenços e aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os doentes. Estes eram curados de todas as suas enfermidades, assim como espíritos malignos eram expelidos deles”. Outros acontecimentos também alteravam a rotina da cidade, que acontecia sempre sem muitas novidades: “Muitos dos que creram, assim que chegavam, começavam a confessar e a declarar em público suas más obras praticadas”. (19. 10, 12 e 18)

         O que aconteceu em Éfeso em nada lembra os dias trabalhosos de Corinto. Paulo aprendeu coisas preciosas sobre cidades, atmosferas e sobre si mesmo. É preciso enfrentar o triunfalismo que tão de perto nos cerca e levantar ao redor de nosso entendimento uma cerca de exigências. Um homem que não exige de si, nada pode oferecer de novo aos outros. Cristo nos fez novas criaturas, porém é necessário desejar essa novidade e fugir com desejo ardente do velho que nos assedia constantemente. Paulo não se apresentou em novidade na cidade de Éfeso por força natural, ele o quis; o desejou; o provocou. Um homem espiritual quer ser um novo homem todos os dias e essa regra continua valendo em nossos dias. Dias esses cheios de relaxamentos e facilidades que nos fazem ser não tão exigentes! É preciso aprender a se renovar!

         Precisamos de novos Apóstolos; homens que se renovem a cada dia na doutrina e na piedade (2 Tm 4. 13). E não dessa novidade que é na verdade sempre mais do mesmo. Fruto da vida desses apóstolos que dizem ter “sempre algo de novo”.

Ney Gomes – 24/01/2015
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10

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