Estudo - A Dispensação dos Reprovados!





A DISPENSAÇÃO DOS REPROVADOS.

“Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões (...) Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”
 (Fil 1. 15- 17, trechos – ACF).

Talvez a melhor definição de Ministério seja “SERIEDADE”. O ministério trata-se de exigências e não de talentos (Lc 9. 23/I Tm 3. 2ª). Sempre houve gente talentosa, mas nem sempre na mesma proporção, gente que cumprisse às exigências! Paulo tratava esse assunto com muita seriedade, pessoalmente e por cartas (I Tm 6. 9).

Vai parecer um trocadilho sem graça, mas com a prisão de Paulo, os que por ele foram reprovados, se sentiram livres. Sua prisão não somente motivou os vocacionados em santidade (II Tm 2. 18). Na prisão de Paulo, julgaram eles que poderiam se vingar do Apóstolo, no mesmo sentimento que os reprovava para o santo ministério (1. 15). O homem de Deus tem sua ação ministerial pautada na conduta, na disciplina e no cuidado de si mesmo. Não é o ministério um concurso de carisma, popularidade e talento!

“E ao servo do Senhor não convém contender,
mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor”. [2Tm 2:24]

Gente reprovada gera gente reprovada (II Tm 2. 15ª). As pessoas de seu tempo conheciam bem seus sentimentos, mas julgavam errado os seus desejos mais profundos. Paulo desejava apresentar a Deus uma liderança santa em si mesmo (I Co 11. 1). No entanto, desejava muito mais, ver o Evangelho sendo difundido pelo mundo, mesmo que fosse necessário corrigir algumas distorções num caminho mais adiante. A bem da verdade devo dizer que ainda hoje, é melhor ver um “cristão reprovado” pregando o Evangelho, do que um “islâmico aprovado” anunciando o “alcorão”.

Como Paulo, temos a agonia de ver hoje, muitos reprovados pregando e anunciando o Evangelho. Produzindo como custo disso, uma comunidade tosca e sem valores aprofundados. Vítimas de uma pregação sem exigências e cheia de triunfalismo. Ministros reprovados que criaram atrás de pequenas portas de aço, redutos de suas vaidades e orgulhos feridos. Estamos vivendo o ponto mais elevado da DISPENSAÇÃO DOS REPROVADOS. Nunca antes na história da igreja, gente mundana teve tanto destaque nos púlpitos e nas igrejas. Nunca antes a igreja foi tão artística e tão pouco criteriosa. O altar deu lugar ao palco, e os ministros e servos foram trocados por artistas e assessores.

“Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade”. [2Tm 2:16]

Ora, diante de tanto descaso, o que poderia nos consolar? É certo afirmar que devemos nos consolar no mesmo que consolava Paulo. Pois é bem capaz que ainda haja mais espaço para acontecer a “ação dos reprovados”. O que dizer? Prefiro ver o Evangelho sendo vendido com Bíblias, lenços, rosas e promessas de pedaços do céu, do que ver o ISIS (Estado Islâmico) decapitando pessoas e destruindo patrimônios da humanidade. Prefiro ver a briga de lideranças evangélicas por concessões diversas e espaços midiáticos, do que ver soldados xiitas estuprando meninas sunitas. Prefiro ver a sandice sendo adornada pelo estado democrático de direito, ver o enriquecimento fantástico de líderes denominacionais, do que ver a pobreza expansionista das ditaduras religiosas e partidárias do oriente.

Em meio a tanta gente reprovada pregando e anunciando o Evangelho de Jesus Cristo, nós, que lutamos para levar uma vida santa e piedosa à luz das Escrituras, devemos saber bem de onde tirar esperança. Pois a cada dia que passa, suas fontes se tornam mais e mais escassas (II Tm 3. 1).

Ney Gomes. 24/06/2015
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10

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