Metáforas - A Nobre Dama.

A NOBRE DAMA.

Da mais pura seda, com detalhes em pérolas verdadeiras, ele ocupava um lugar de destaque da vitrine. A vendedora Lúcia, experiente e observadora não deixou de notar que todas as tardes, por muitos dias, certa senhora se detinha ali por alguns minutos com atento olhar para a peça linda e caríssima por trás do vidro. Parecia ser um ritual vespertino de minutos. Ele parava, olhava, parecendo estar imaginando algo e depois ia embora.

Mas numa segunda a tarde ela quebrou o ritual e entrou na loja. Lúcia se adiantou as demais vendedoras e lhe abordou logo depois dos primeiros passos dentro da loja. Ela sabia que dali tiraria uma excelente venda e a garantia de bater a cota mensal.
Boa Tarde! Posso lhe ajudar? Enquanto falava a nobre senhora caminhava para o balcão de vidro no fundo da loja. Ali, ficavam expostas algumas semijoias, mas nada que fosse demais precioso. Talvez, o mais caro não representasse 10% do vestido na vitrine.

A nobre senhora olhou atentamente as peças do balcão e esboçou real interesse numa pulseira com pedrinhas. Como boa vendedora Lúcia perguntou se ela desejava ver os vestidos, e ela pareceu não se importar. Com experiência de longo caminho Lúcia segurou a frustração de não conseguir lhe vender aquele vestido tão valioso. Mas de repente, seu pensamento foi quebrado pela pergunta: — Quanto custa essa pulseira? Disse apontando. Lúcia disse o valor, ela sorriu e abriu a bolsa; foi aquilo que lhe interessou.

Ao receber o cartão de crédito com a identidade, Lúcia notou que o cartão dela, além de internacional, parecia ser daqueles quase sem limites, tipo Golden Mega Plus Unlimited!
Tem certeza que não quer ver os vestidos? Disse antes de enfiar o cartão na máquina. Mas a nobre senhora acenou negativamente com a cabeça! Lúcia passou, lhe devolveu o cartão, fez uma embalagem bonita e lhe entregou a joia. A nobre senhora sorriu após o caloroso agradecimento e boa tarde de Lúcia, e ao sair não se furtou de mais uma vez olhar bem para o vestido da vitrine perto da porta.

Assim são nossos dias!
Não é que as pessoas não podem, é que elas não querem (Ap 3. 17, 18). A igreja desses dias está se tornando numa beleza que as pessoas não querem pagar o preço para ser (Tg 5. 2). Ficam por perto, em contato com coisas que lhes façam não parecer ser indiferentes (Ap 7. 9). Ignoram que no final o barato lhes sairá caro! A pior riqueza é aquela que não compra o que nos é essencial! (Lc 18. 23).

E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lc 9. 23 – ACF)


Ney Gomes 11/07/16.
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10



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