DAVI. UMA ARCA DA ALIANÇA VIVA!

A Arca Viva.

"Então mandaram trazer de Siló a arca da aliança do Senhor dos Exércitos, que tem o Seu trono entre os querubins. E os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, acompanharam a arca da aliança".

(I Samuel 4: 4 – NVI).

Os anciãos de Israel fizeram uma péssima troca*.

Essa sentença define a maior tolice de Israel. Houve um tempo em Israel, até então desconhecido, que ao invés de eles guardarem a aliança com Deus, simbolizada pela Arca, começaram a adorar a Arca que simbolizava a aliança com Deus. Como se não bastasse esse mal, eles acharam que a presença da Arca poderia definir o rumo das batalhas. Em tempos de santidade isso certamente aconteceria (e mesmo assim, com iniciativa de Deus – Josué 3), mas naquele momento cada israelita fazia o que bem queria, e o que parecia bom aos seus olhos. Essas palavras foram escritas para não se ter que dizer que naquele momento o governo de Israel era anárquico (Jz 21:24, 25).

A Palavra de Deus naquele tempo era escassa e as visões raras1, mas é claro que isso se instalou em Israel por sua própria causa. Talvez Deus estivesse olhando para o povo e dizendo: "Não há quem busque, não há quem clame, não há um justo sequer!". Mas de repente se levanta uma mulher, que movida pela sua tristeza, move o coração de Deus. Daí, Deus começa a escrever uma nova história para Israel. Porém a velha história ainda não havia terminado, mas os filhos de Eli já estavam escrevendo seu último capitulo, e a tinta seria vermelha, da cor de sangue. Quando Hofni e Finéias foram sepultados (e isso foi profético), Eli, a idolatria e o caos de Israel foram também. Mas o preço desse velório sairia caro para Israel, e o seu valor seria a perca do símbolo da presença de Deus em Israel; a Arca do Concerto, a Arca de Deus. Não demorou muito e a nação voltou para o vômito, quer dizer para a idolatria. Aí então a opressão dos Filisteus aumentou e Israel buscou a Samuel2, a primeira página de uma nova história. Deus estava preparando para o povo uma história repleta de restituições, mas algumas coisas iriam mudar e mudar mesmo.

A Arca da Aliança era o símbolo da presença de Deus, ela tinha um lugar único na adoração em Israel, mas (como objeto) ela não poderia apontar o caminho para Deus (Sl 51: 13). Mas se o que havia dentro da Arca era tão precioso assim, deveria ficar então num lugar mais seguro. E Deus chegou a essa conclusão também!

Deus me deu uma palavra de conhecimento, Ele me disse que fez de Davi a nova Arca da Aliança. Lendo percebi que essa revelação se encaixa perfeitamente nas Escrituras, uma vez que observamos que após a volta da Arca a Israel, ela perdeu seu lugar no centro do culto israelita. A grande verdade é que a Arca não poderia negar a glória que lhe era dada, mas Davi sim, como a nova Arca de Deus, ele poderia e fez (Sl 115. 1). Como um tipo de Cristo do Antigo Testamento, Davi apontava perfeitamente para Deus, para seus feitos e para suas obras (Sl 24). Durante anos, a Arca da Aliança ficou esquecida em Quiriate-Jearim (vinte anos), e quando Saul assumiu o poder, não restaurou seu lugar no culto ao Senhor. Isso mostra a cegueira espiritual de Israel, seu descaso para a justiça e a presença de Deus, uma vez que a Arca simbolizava isso para o povo (até a chegada de Davi ao trono, foram quarenta anos de esquecimento). Vale lembrar que era sobre a Arca que se via a chama da Glória de Deus, em meio aos querubins. Depois que Davi se torna rei, ele estabelece a restauração do culto a Jeová, ele assume a função de Moíses, ordenando a ordem que deveria ser obedecida. Se a Arca era símbolo da presença de Deus, e Davi foi o homem segundo o coração de Deus, e que o coração é o símbolo de nossa volição, é fácil aceitar que Davi foi a Arca viva de Deus para o povo (I Sm 13: 14). Primeiro Deus deu ao povo o tabernáculo, depois Deus fez de Davi a peça principal desse tabernáculo, e por fim, Deus fez de Jesus o próprio tabernáculo (João 1: 14/Ap 21: 3). Jerusalém ficou sendo a Cidade de Davi, e não a cidade da "Arca do Concerto" (I Cro 11: 7, 8). Para o povo Davi era a concretização de muitas promessas de Deus. Para Abisai, filho de Zeruia, Davi era a lâmpada de Israel, isso é, por causa dele, Israel ia bem e não andava nas trevas da idolatria (função essa que outrora, pertencia a Arca. - II Sm 21: 15, 17). Agora, no fim dos tempos o tabernáculo de Davi será reerguido, para que todos os gentios busquem a Deus (At 15: 16, 17). Davi é a confirmação da verdade, que indica que Deus quer mesmo é habitar no coração dos homens, Ele (Deus) mesmo declara a Davi que nunca pediu para Israel lhe levantar uma casa de cedros (II Sm 7: 7). O erro de Israel foi colocar sua Esperança em símbolos, que não passam disso, símbolos!3 .

Nós somos símbolos vivos da presença e do amor de Deus, e podemos apontar perfeitamente para Ele, que é o autor e consumador de nossa fé. Davi e Jesus foram "raízes saídas de uma terra seca", quando tudo parecia estar totalmente falido, Deus levantou esses homens (Is 53: 2). Será assim também nesses dias que antecedem a vinda de nosso Senhor Jesus; grandes homens de Deus vão se levantar em meio a paganização e o mundanismo da igreja, condenarão o "consumismo" em nome da fé, apontarão aqueles a quem a igreja não pode mais suportar (Ap 2: 2). Uma geração de Davi (Ap 22: 16), que terá em si de fato a presença de Deus (Ap 3: 20). A igreja dos últimos dias tem como marca a hipocrisia, aquilo que parece, mas não é (Ap 3: 17, 18), uma igreja que Deus não tolera mais, onde pessoas como Ananias e Safira cantam pregam e pastoreiam, em fim, são felizes! Creio que nesses dias, em todas as áreas, em todos os lugares, Deus estará levantando pessoas que tem compromisso com a verdade (a lenha seca), e que essas pessoas "esquentarão" nos últimos dias aqueles que esfriaram na fé, a última colheita. A vida de Davi é um próto-evangelho, mostra-nos de uma forma muito primitiva, o desejo de Deus de se revelar perfeitamente no homem (Col 1: 19), de se fazer conhecido (Ex 6: 3). Mas isso foi impossível através da arca e através de Davi. A arca por ser um objeto e em Davi por ele ser pecador. Mas em Cristo Jesus se cumpriu perfeitamente a simbologia da Arca; pois Ele (Jesus) é a manifestação maior do amor (graça) e da justiça (verdade) de Deus (João 1: 14). O que havia de importante no interior da arca, está a destra de Deus; Cristo Jesus, o Senhor da Glória. Mas Ele não seria revelado ao mundo por Moíses, ou por Davi. Porque a Arca na verdade simbolizava Israel diante de Deus, todo o território de Israel era arca diante de Deus. Veja, Jesus é crucificado (dois varais) e colocado no túmulo "escavado" na pedra (o baú), sobre o túmulo é rolada à pedra (a tampa) e junto à tampa, anjos (os querubins). Parece que Lucas também compreendeu isso dessa forma, pois seu relato fala de dois anjos a porta do túmulo (Lc 24: 4). A arca simbolizava (ao meu ver) o mistério de Deus, oculto dos séculos e do homem, tão falado pelo Apóstolo Paulo em seus escritos (Ef 3: 1, 11), mas agora revelado perfeitamente aos homens, em Jesus. Ele é o conteúdo da Arca, revelado agora aos homens de todo o mundo (Col 1: 27). Mas um dia a Glória de Deus (Cristo) vai se revelar novamente na Arca (Israel), como nos afirma João em Apocalipse (11: 29/ A vinda do Reino). Como foi em Davi, agora é! Eu e você somos a Arca de Deus, pois estamos em Jesus, o novo tabernáculo. Jesus está em nós, isso é, a chama da Glória que se revelava sobre a Arca (At 2: 2, 3). Deixe o mundo ver a Glória de Deus em você, pois todos nós os que cremos em Jesus, nos tornamos Arcas Vivas! A esperança dada a todos os povos4, de um dia verem a Glória de Deus; Cristo Jesus!

É isso que tenho a dizer!

Ney Gomes.

Referências: 1- I Sm 3: 1 – 2- I Sm 7: 2, 14 – 3- II Rs 18: 4 – 4- Col 1: 27

*A péssima troca foi tirar a Arca de entre os querubins e coloca-lá entre Hofni e Finéias.

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