Filipenses. A Alegria de Ofertar.

FILIPENSES. A ALEGRIA DE OFERTAR!

“Mesmo assim, creio que será necessário enviar-vos de volta Epafrodito, meu querido irmão, auxiliador e companheiro de lutas, mensageiro (...). Pois ele tem saudades de todos vós e se sente angustiado por saberdes que ele havia adoecido.(...) Mas Deus se compadeceu dele, e não apenas dele, mas igualmente do meu coração, para que eu não fosse afligido por tristeza sobre tristeza. (...) Recebei-o, portanto, no Senhor, com grande alegria, e sempre honrai pessoas como ele; porquanto, ele chegou às portas da morte por amor à causa de Cristo, arriscando a própria vida para suprir a cooperação que vós não pudestes me conceder”.

(trechos de Filipenses 2. 25- 30 – BKJ)


Aos seus jovens delegados, Paulo escreve: “Os que desejam o Episcopado, excelente obra desejam. Mas, é necessário”...
De forma intencional e didática, e também para facilitar a vida de seus obreiros, o Apóstolo Paulo declara as exigências necessárias para o serviço aos santos. A lista tinha por objetivo fornecer a Tito e Timóteo, as virtudes que devem ser encontradas na vida de um líder (I Tm 3. 1- 16). Mais do que isso. Ela expressa o desejo de Deus em possuir em “todos os tempos” uma igreja comprometida com a pureza. Todavia, apesar de sua áurea importância, é outra lista que me chama a atenção. Ela não é formal, e parece não querer normatizar algo. Mas, nem por isso, ela é menos importante.
Quando Paulo escreve aos Filipenses, A CARTA que é considerada por muitos, a de cunho mais pessoal e íntima de todas, estabelece uma lista de virtudes que devem existir na vida de alguém a quem verdadeiramente devemos honrar. Honra e obediência são coisas distintas, uma sobrevive na outra e pela outra. As duas se completam e às vezes se confundem. Mas também existem em sua forma mais pura, simples e independente. Muitas são as situações em que não sabemos a quem honrar e a quem obedecer, e se devemos só honrar ou só obedecer. Ou se devemos honrar e obedecer ao mesmo tempo. Filipos era uma colônia romana fundado por velhos soldados. Ora, eles estavam acostumados há de acordo com as regras militares, saber há quem dar honra e mérito. Faltava-lhes, no entanto uma compreensão mais clara sobre o papel da honra na vida da igreja.

Ao falar sobre Epafrodito, Paulo lança luz sobre esse assunto que até hoje trás grandes dores e desconfortos ao seio da igreja. É-me incrível também, a capacidade de Paulo de enumerar as virtudes das pessoas que lhe auxiliam. Seu conselho aos Filipenses é: “Sempre honrem homens como este”. E segue as suas qualidades:
Meu irmão – Alguém que por suas atitudes nos dá total certeza de vínculo. Pessoa com quem nos afeiçoamos e por nós tem afeição. Virtude essa que desaparece rapidamente da igreja.

† Cooperador – Alguém que trabalha conosco e que conosco se encontra lutando da mesma forma, pelas mesmas regras e tendo por fim o mesmo objetivo.
† Companheiro de lutas – Pessoa com quem podemos dividir o pão. Mas também, o preparo da farinha. O amassar, o descanso da massa e o calor de sua ida ao forno. Lutar. Palavra que a igreja tem aprendido a detestar nessa presente era.

† Mensageiro – Como Paulo mesmo o define como Apóstolo; sem comentários.
† Auxiliar – Aquele se encontra perfeitamente capacitado ao exercício da submissão. O que consegue suportar a importância do que Deus faz pela vida de outros.
† “Saudade e angustia” (afeição/igreja) – Ser encontrado em ligação emocional com um grupo. Pessoas que são alvo de nossas preocupações. É se sentir parte de alguma coisa, o antônimo de profissionalismo, mercenário.

† “Compadeceu dele” – Alguém cujo investimento divino revele algo mais. Pois a misericórdia na economia divina, não deixa de ser uma forma de creditar confiança.
† Portas da morte – É bem verdade que Jesus nos mandou ir. Mas, o Reino de Deus é feito pelos que chegam. Epafrodito sabia exatamente até onde deveria ir para apresentar a sua oferta, que na melhor tradução, é, todo seu ser. 


Dispôs a dar a vida – Ao aceitar ser o mensageiro dos filipenses, Epafrodito agregou sua vida aos valores que consigo carregava. Ele agora era parte disso, de modo que, ao entregar a oferta, deveria ele mesmo permanecer ali como parte dela. Não se tratava do tradicional “ir num pé e voltar no outro”. Pois isso seria para ele o mesmo que subtrair dos valores que lhe foram confiados pela igreja. Epafrodito é que aos olhos de Paulo tornava essa oferta de aroma suave e sacrifício agradável a Deus. E nesse sentido Paulo recebia muitas ofertas. Epafras, Lucas, Demas, Justo, Aristarco e outros tantos. Pessoas que faziam com que o velho Apóstolo se sentisse grandemente enriquecido. Epafrodito era a perfeita declaração do que os filipenses sentiam por ele. O que eles tinham de mais preciso na representação de seu afeto. Para Paulo, na igreja, homens como esse e somente como esse, é que devem ser honrados. E não é de admirar que seu retorno a Filipos – ao Apóstolo – fosse motivo de grande alegria. Pois se sua ida a Roma, representava por parte dos Filipenses uma oferta. Seu regresso representava por parte do Senhor, uma dádiva, um presente, um mimo.

Na igreja, nos lares e na política. Precisamos de homens como Epafrodito, que possam suprir ao Brasil a ajuda que muitas vezes não conseguimos dar. O que me parece é que está cada vez mais difícil saber a quem honrar e escolher para nos representar diante de Deus e dos homens. Por causa disso há entre nós muitos fracos e doentes, e não poucos os que dormem. Logo, o amor de muitos esfria e se abate tristeza sobre tristeza.
Meu desejo é que Deus tenha efetiva misericórdia de nós!

† Ney G. Ferreira – 13/07/2010.

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