Aos Brasileiros - A Dispensação de Pelegue (Gn 10. 25).






A DISPENSAÇÃO DE PELEGUE.
[Uma carta aos Cristãos Brasileiros]

“E a Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã”. (Gn 10. 25 – ACF)

                Todas as decisões que você rejeita tomar, resultarão em consequências que se voltarão direta ou indiretamente contra você. Houve um homem chamado Héber, ele viveu nos dias que seus irmãos tomavam importantes decisões sobre a vida de todos os homens. Não sabemos detalhes do ocorrido, mas foi um fato marcante, que lhe deu a ideia de batizar seu filho mais velho, numa espécie de “marca temporal”.

         Foi nos dias do nascimento de Pelegue, que os homens dividiram a terra. Não podemos afirmar se Héber apoiou; opinou ou decidiu sobre isso. Penso, que seria algo importante e que logo, lhe seria creditado para o bem ou para o mal. Todavia, o que nos parece, é que ele se isentou de participar e decidir. Deixando para os demais homens de seu tempo essa importante decisão. Também não sabemos das consequências de sua ausência, se a terra foi bem dividida ou não. Se houve no processo, justiça e equidade.

         Enquanto Pelegue crescia, as decisões de seu tempo amadureciam nos corações dos homens e para Héber, tudo aquilo lhe era indiferente. Você é responsável pelas coisas que acontecem ou não, no meio do qual você faz parte! Talvez, nós Brasileiros sejamos bem mais que os Judeus, descendentes de Héber. Não gostamos de decidir sobre nosso futuro como nação e quase sempre entregamos isso nas mãos de outros. Tem sido assim por muitos anos e agora, pagamos o preço disso. Se a lama ou o “mar de sangue” não alcançam nosso portão, não nos interessamos em participar e ser a mudança que se deseja.

         Definitivamente a igreja não foi chamada para estar a “sombra de Héber”. Pesa sobre nós a liderança das nações; o ser sal; o ser luz; o ser vida! Mas não é esse o papel que vivemos hoje! Estamos também deixando outros decidirem em nosso lugar; por nosso povo! Somos chamados a “assumir o governo” de nossas vidas; de nosso destino. Para isso, para que seja bem feito, o Espírito Santo veio!

         Não importa a tragédia; a igreja no Brasil não consegue exercer liderança contextual. Não importa se é em Mariana, Cataguases, Maruí, Cubatão, Macaé, Araucária. Não conseguimos nos mobilizar como líderes do mundo (I Co 6. 3). Pelegue foi aquele que aprendeu com seu pai, que não se precisava participar das mudanças que eram promovidas em seu tempo; seus dias; seu lugar.

         As consequências de tal pensamento podem ser pessoais, coletivas e hereditárias. Ora, se algo vai nos afetar, que ao menos isso seja o fruto de nossas decisões e não de outros. A igreja é um poderoso órgão de transformação política e social e precisa agir como tal. Precisamos aceitar o fato de que, para qualquer coisa que façamos ou não, nascerá disso uma verdade que nos atingirá e talvez (e quase sempre) aos nossos filhos.

         Foi por causa das coisas que aconteceram nos dias que Pelegue nasceu, que Deus decidiu “encurtar” em 100% a vida dos homens. Nada gradual, foi feroz a mudança e radical seus efeitos! Se a igreja não assumir o seu papel de liderança, talvez a humanidade não precise nem ser “peneirada” para a vinda de Cristo. Os processos climáticos e políticos vão destruir a sociedade, tendo a igreja como plateia. Deus nada faz quando reconhece que é “Héber e Pelegue” que tem de agir. Isso se chama mordomia e está na Bíblia. A terra é do SENHOR, e talvez Héber (430 anos de vida) soubesse disso como filho mais velho, mas deixou que seus irmãos dividissem o que é de Deus. Fazendo isso, impôs um preço alto para os seus descendentes, que passaram a não gozar mais das bênçãos da longevidade. Aliás, tudo o que é dividido (e não repartido) perece duas vezes mais rápido (Gn 11. 16- 19).

“E viveu Éber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos,
e gerou filhos e filhas. E viveu Pelegue trinta anos, e gerou a Reú.
E viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos”.
(Gn 11. 17- 19).

         A nossa falta de atitude e liderança marca esse país com uma pobreza que jamais sairá de sua alma. Somos em nossa maioria uma IGREJA que descende de Héber, SOMOS A IGREJA GERAÇÃO PELEGUE. Se dirá (quem sabe) que foi em nossos dias que o Brasil afundou; andou pra trás e se destruiu. Por causa de uma geração de cristãos que só pensava em si mesma e nos seus bonitos templos de granito e vidro temperado. Se não mudarmos AGORA, precisaremos conviver com a verdade que estaremos condenando nossos filhos e “quiçá” netos, a uma vida de pobreza e privações, num país doente que não consegue se erguer do mar de corrupção e da lama de pecados.

         A igreja Brasileira precisa despertar e viver a plenitude de seu papel profético. Não podemos esperar que esse país mude sem a ajuda de Deus; do Eterno. Para isso, preciso aceitar e viver o nosso papel de instrumento em Sua mão.

Que Deus tenha piedade de nós! Que Ele nos ajude!


Ney Gomes. 19/11/2015
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10
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