O Casamento e as Portas de Jerusalém (01/12).

 


O Casamento e as Portas de Jerusalém.

A Porta das Ovelhas (Ne 3. 1).

As portas de Jerusalém representam muito mais do que estruturas físicas. Elas simbolizam o lugar das decisões. São a expressão da nossa vontade, das nossas escolhas e daquilo que permitimos entrar ou sair da nossa vida. É na porta que decidimos quem terá acesso ao nosso coração. É nela que determinamos o que deve permanecer do lado de fora e o que merece ser recebido. Toda porta exige discernimento.

Quando as portas estão caídas, queimadas ou destruídas, revelam uma vontade enfraquecida, uma alma desprotegida e uma vida marcada pela inconstância. Mas quando são restauradas, testemunham decisões corretas, prioridades reorganizadas e uma vida produzindo os frutos certos. Se queremos restaurar um casamento, precisamos começar restaurando suas portas.

A primeira delas é a Porta das Ovelhas (Nm 12. 39 – Jo 5. 2).

Qual a relação da Porta das Ovelhas com o casamento?

Para compreendê-la, precisamos olhar para o seu oposto. O maior inimigo da ovelha não é o leão, mas o lobo. Há um antigo provérbio latino que diz: "Os leões são mais fortes do que os lobos, mas os lobos nunca são domesticados nos circos."

A força do lobo não está apenas em sua ferocidade, mas em sua natureza indomável. Ele resiste a qualquer tentativa de submissão. A ovelha, porém, possui uma natureza completamente diferente. Sua sobrevivência depende do pastor. Ela aprende a ouvir sua voz, a segui-lo e a confiar na direção que recebe. Essa é a primeira grande lição para um casamento saudável. Um casamento de sucesso não é construído por duas pessoas que disputam o controle, mas por duas pessoas submissas ao projeto de Deus para a vida a dois.

Submissão, aqui, não é sinal de inferioridade. É sinal de maturidade espiritual. É reconhecer que o Criador conhece melhor o funcionamento daquilo que Ele mesmo estabeleceu.

Ser ovelha no casamento é permitir que Deus conduza nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atitudes. É abandonar a natureza do lobo — marcada pela independência, orgulho e resistência — para abraçar a natureza da ovelha, que aprende a confiar no Pastor.

A porta do gado ou "porta das ovelhas" foi edificada sob a liderança do sumo sacerdote Eliasibe, "com os seus irmãos, os sacerdotes, edificaram a Porta do Gado a qual consagraram e levantaram as suas portas; e até a Torre de Meá consagraram e até a Torre de Hananel" (Ne 3.1). O texto diz: "E, junto a ele, edificaram os homens de Jerico; também, ao seu lado, edificou Zacur, filho de Inri (Ne. 3.2). Isto é, junto ao sumo sacerdote houve o generoso trabalho de outras pessoas igualmente úteis na edificação dos muros.

O significado espiritual de ser ovelha (João 10. 7- 9).

Ser ovelha significa permitir que Cristo realize em nós Sua obra salvadora e libertadora por meio do precioso sangue derramado na cruz do Calvário. Antes de restaurar um casamento, Deus restaura o

coração. É o Bom Pastor quem cura nossas feridas (dores antigas), corrige nossos caminhos (discipulado), quebra nosso orgulho e transforma nossa maneira de amar (conversão diária).

Seu cajado não é um instrumento de violência, mas de direção. Ele nos aproxima quando nos afastamos. Ele nos protege quando estamos vulneráveis. Ele nos conduz quando perdemos o rumo. Assim também acontece dentro do casamento. Ser ovelha é aceitar ser conduzido (Salmo 23).

Como essa verdade transforma o casamento?

Ser ovelha no casamento significa ouvir o outro. Significa aceitar boas ideias, mesmo quando elas não nasceram em nós. Significa reconhecer que não possuímos todas as respostas e que nossa felicidade não depende apenas daquilo que pensamos ou desejamos. Casamentos adoecem quando cada cônjuge acredita ser o único dono da verdade. Casamentos florescem quando ambos se curvam diante da Verdade de Deus.

O casal que aprende a ouvir um ao outro demonstra, antes de tudo, que ambos aprenderam a ouvir o Pastor. Quando marido e esposa deixam de lutar pela razão para buscar juntos a vontade de Deus, a paz encontra espaço para habitar naquele lar.

Conclusão.

Como duas ovelhas pertencentes ao mesmo rebanho, marido e esposa precisam caminhar debaixo da autoridade de Jesus Cristo, o Supremo Pastor. Nenhum casamento chegará aos pastos verdejantes prometidos por Deus se insistir em andar sem direção. Enquanto resistirmos à voz do Pastor, permaneceremos vagando pelos desertos da nossa própria vontade.

Mas quando permitimos que Ele conduza nossos passos, descobrimos que Sua direção sempre nos leva à paz, à restauração e à vida abundante. Quem aprende a seguir o Bom Pastor experimenta uma casa cheia de harmonia, um casamento fortalecido pela graça e uma família protegida pela presença de Deus. E aquele que entra pela Porta das Ovelhas hoje caminhará, um dia, pelos portões da Nova Jerusalém, onde o Supremo Pastor receberá para sempre aqueles que ouviram a Sua voz e decidiram segui-Lo.

"Assim, edificamos o muro, e todo o muro se cerrou até sua metade; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar". (Ne 4.6)


Por Ney Gomes – 24/04/26
CEI Barra- GD de Casais - Estudo 01.
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo". 1 Timóteo 4.10

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