MEMÓRIAS DE UM PARDAL, OUTRAS 2.
MEMÓRIAS DE UM PARDAL, OUTRAS 02.
O SAPO CURURU E A GRANDE LIÇÃO*.
O Sapo Cururu, que amava Peripá,
morava no Muriaé e vivia só de cantar. Ele era famoso, icônico, velho, sábio,
cheio de histórias duvidosas e poesias musicais. Um belo dia, viu o Pardal
pousar num galho sobre o rio de seu domínio. Solitário, parecia chorar a sua
sorte e resmungar do destino (Sl 121. 1). Chegando um pouco mais perto, ouviu o
pardal falar sobre “perder as esperanças” de ser uma Águia Majestosa.
– Ei pardal! Venha cá! Disso o velho
Cururu. Você não sabe que, antes de querer ser alguém melhor, a gente deve
estar em paz com quem é agora? Continuou ele.
– Que Sapo sábio, pensou o Pardal consigo mesmo, enquanto descia do galho para junto da pedra do rio.
– Certa vez vi aqui, na beira desse rio, um
certo Gavião com a aparência meio assustadora, carregando em seu bico um
suculento pedaço de carne. Parece que ele vinha de outras bandas, feliz da
vida, como se tivesse tirado vantagens sobre alguém. Eu estava na outra margem
do rio quando eu o vi se aproximar para beber água.
Foi então que ele ficou fascinado quando
viu um outro Gavião que também tinha no bico um enorme pedaço de carne. Esse
outro pedaço parecia ser duas vezes maior do que aquele que ele carregava (porque todas as vezes que não estamos felizes com o que
temos, o que é dos outros, parece ser duas vezes melhor).
Ele pensou, logo, que deveria se apoderar
desse pedaço de carne que parecia ser maior do que aquele que estava em seu
bico. Então, ele rapidamente largou o seu, pulou sobre a outra ave ferozmente,
na esperança de se apoderar do seu pedaço.
Mas, como ele ficou frustrado quando
descobriu, já todo molhado, que a outra ave, na verdade, era o seu próprio
reflexo no espelho d'água.
A correnteza do rio, então, levou o seu precioso pedaço de carne e, naquele dia, ele não ficou nem com uma coisa nem com outra, apenas com a sua frustração, maior do que a carne que ele carregara.
A cobiça e a ganância nos afastam do amor que conquistamos por ser apenas quem somos e nos fazem perder os valores que poderíamos juntar para ser o que desejamos nos tornar!
– Muito obrigado! Disse o Pardal, consolado pela sabedoria da história.
Dias depois desse encontro com o Cururu, ele deixaria a Floresta das Pedras Claras sem saber ao certo qual seria sua sorte (pág. 19). Mas seu coração não tinha mais medo. Ele estava agora feliz por ser Pardal.
E se procurar e se encontrar é como descobrir
um lugar mais calmo!


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