Devocional - Um Baú Chamado Paulo de Tarso.

UM BAÚ CHAMADO PAULO.

“No primeiro dia da semana reunimo-nos para partir o pão, e Paulo falou ao povo. Pretendendo partir no dia seguinte, continuou falando até a meia-noite. Havia muitas candeias no piso superior onde estávamos reunidos. Um jovem chamado Êutico, que estava sentado numa janela, adormeceu profundamente durante o longo discurso de Paulo. Vencido pelo sono, caiu do terceiro andar. Quando o levantaram, estava morto. Paulo desceu, inclinou-se sobre o rapaz e o abraçou, dizendo: "Não fiquem alarmados! Ele está vivo!" Então subiu novamente, partiu o pão e comeu. Depois, continuou a falar até o amanhecer e foi embora. Levaram vivo o jovem, o que muito os consolou.
(Atos 20. 7-12 – NVI).


Quando Lucas nos relata esse acontecimento, Paulo já não era mais um Apóstolo. As viagens (03 viagens), os milagres, os amigos e as experiências haviam lhe tornado em algo muito mais importante do que Apóstolo. Ele era a testemunha fiel do Senhor. Sua vida e suas viagens descreviam perfeitamente o “poder de Cristo”. Curas, salvação, milagres e esperança (I Pe 1. 3). Tudo havia saltado das paginas do Evangelho para sua vida e ministério. Um baú vivo. Cheio de promessas que ele mesmo viu se cumprir. Em algumas ocasiões suas lembranças eram tão vivas que remontavam o ambiente aos seus ouvintes de uma forma quase real (At 19. 13- 20). Com um pouco de imaginação seus ouvintes visualizavam suas histórias e se enchiam de esperança.

E esperança era tudo o que Paulo queria dar as seus ouvintes (Rm 15. 12, 13). Suas viagens lhe cumularam de ricas histórias, cheias de poder e salvação. Em Trôade, os irmãos lhe aguardavam cheios de sede e fome da Palavra, o que lhe provocou o desejo de estender a reunião um pouco mais (v. 7). Seus relatos revelavam um Cristo vivo, um Cristo Rei, um Cristo compassivo, amigo, verdadeiro, misericordioso. Tudo o que as pessoas mais precisam para viver. Os relatos de suas viagens lhes davam o direito (pela fé) de herdar uma parte desse Evangelho que é vivo e eficaz. Cada hora tinha o valor de uma faculdade de teologia. Diante disso tudo a morte de Êutico não chega a ser uma tragédia e sim uma estupidez. Paulo descrevia um Poder que operava além daquelas paredes e Ele podia ser visto pela janela que Êutico obstruiu com sua indiferença. O Evangelho “Apostólico” nos dá a chance de nos ver de uma forma melhor em suas páginas. Não havia mais títulos para descrever o que Paulo era. Apostolo, doutor, mestre, pastor, esses títulos já haviam sido superados por sua fidelidade. Sua melhor descrição era Paulo, “a fiel testemunha de Cristo”. A teologia de homens como Paulo e Antipas (Ap 2. 13), está alicerçado firmemente naquilo que pela fé eles foram capazes de presenciar. Suas homilias eram simples, sem pontos e cheias de vida. Certamente Paulo lhes falava sobre o grande amor de Deus, seu desejo e disposição de mudar nossa sorte (Col 1. 13).


E tudo o que Paulo falou se tornou verdade bem ali, diante de seus olhos. Na queda de Êutico a teologia de Paulo se mostrou viva, eficaz e confiável (Alias, esse é o verdadeiro papel da teologia Apostólica). A certeza de que o seu “Logos” era real (II Cor 13. 3, 4). Eles deram o primeiro passo para se tornarem também “testemunhas fiéis do Senhor”. Aquele evento envolvendo a ressurreição de Êutico lhes consolou grandemente. Ali ficou certo em seus corações que Jesus tinha de fato o poder para perdoar pecados, transformar vidas e mudar corações. Aquilo mexeu com eles profundamente e em seus ânimos algo mudou. O descaso se tornou no símbolo da vitória, da mesma forma que a Cruz, outrora símbolo de morte se tornou num estandarte de vida (Ct 2. 4). Troâde agora tinha seu próprio milagre, e ele não era Êutico e sim Cristo, o Cristo que eles receberam em seu coração através da verdade viva contida na teologia de Paulo


Ney Gomes – Inverno de 2006.

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