Filipenses. Quem deseja pouco tem pouco poder.

Quem deseja pouco tem pouco poder.
“Até o pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu altar, ó SENHOR dos Exércitos, meu Rei e meu Deus”

“Assim, meus amados (...), ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele”.
(Sl 84. 3/Fil 2. 12, 13 – NVI).



Uma das coisas que nos perturbam no caminho da busca da excelência na vida Cristã, certamente é o modo como lhe damos com a nossa natureza e aquilo que ela deseja e produz (Rm 7. 17 – 21). Com a autoridade que lhe é peculiar A. W. Tozer emite a seguinte sentença sobre os desejos de um homem espiritual: “Outro desejo que caracteriza o homem espiritual é morrer com retidão antes que viver no erro (...) O desejo de ver outros progredirem às suas custas é outra característica do homem espiritual. Quer ver outros cristãos acima dele, e fica feliz quando eles são promovidos e ele é deixado de lado”*. E é disso que Paulo trata nos primeiros versículos do capítulo 2 de Filipenses (vs. 5 ao 10). Isso é, como lhe dar com nossos desejos. Para isso ele evoca O exemplo máximo a lembrança de seus ouvintes, que é o próprio Cristo. O modelo supremo para todos aqueles que enveredam o caminho que dá ao coração de Deus. A VIDA CRISTÃ é cercada por certos cuidados, por que foi idealizada para receber em sua essência poder divino (Luc 9. 23). Por conta disso, Deus criou um mecanismo simples, porém eficiente de segurança. A fim de garantir que seu poder estaria sempre sendo empregado de forma correta, ou santa. Nesses últimos dias da igreja na face da terra, temos vivido dias de grandes desejos, o que tira por si só muita virtude da VIDA CRISTÃ. Face aos grandes escândalos que não param de acontecer, não é difícil encontrar pessoas com enormes desejos de sair de suas igrejas. De concertar certas coisas que de forma tão visível andam erradas. Porém certo ditado capiau diz: “Se veres um jabuti na árvore deixe-o lá. Jabutis não voam. Certamente seu dono voltará para buscá-lo”.
Eu olho para certas árvores da floresta e vejo muitos Jabutis sobre os galhos, e nos mais altos para variar (Jo 11. 48 – 53). Mas, certamente eles não estão lá para despertar em mim curiosidades. Um outro ditado diz que um gambá cheira outro gambá (II Ts 2. 9 – 12/II Tm 4. 3, 4). E isso deve valer para os jabutis (Pv 16. 4). Para os que se interessam pela vida alheia, deve ser tentador ver um jabuti sobre os galhos de uma árvore. E para os mais afoitos um desejo enorme de tirar o “tal jabuti” de lá. É difícil saber o objetivo do jabuti na árvore, e a intenção de quem o colocou lá. Mas, o que verdadeiramente interessa é "a vinda do dono do jabuti”. e isso sim é que não deixa dúvidas nenhuma. Eu penso que os jabutis existem para disciplinar nossa vida com Cristo, pois quanto mais jabutis têm por perto mais você olha para sua vida e para Deus (isso é claro, se você não for um outro jabuti)
Paulo diz para os Filipenses se preocuparem com suas vidas e carreira Cristã (Jo 21. 22). Olhar para a vida alheia nos provoca raiva, tristeza, vaidade e ambição, mas, não necessariamente sempre juntos (v. 3). Não importa se dentro da igreja os homens estão errando, roubando, mentindo e dando “de graça” mau testemunho (II Pe 2. 1– 3), o que importa é que se nós queremos viver uma vida que agrade a Deus, Ele efetuará em nós “tanto o querer quanto o realizar”. No meio de uma GERAÇÃO CORROMPIDA, isso é, pessoas que não submetem seus sonhos a Deus, Ele está manifestando a “SUA BOA VONTADE” aos que desejam uma vida santa e sossegada (Rm 12. 1, 2). A vida de Deus se manifesta somente onde seus desejos podem permanecer (receber um milagre não significa que tenho vida de Deus. Mas, se tenho vida de Deus tenho milagres). Desejos falam sobre motivações e isso pode ter origem humana, diabólica ou divina (Mt 6. 21). As motivações são alimentadas por desejos, e por conta disso, quanto mais se deseja mas se tem motivação e poder (Pv 4. 23). Jesus como pregador não tinha uma agenda particular (completa até 2010). Até mesmo a sua comida era fazer a vontade do Pai (Jo 4. 34). Seu particular era vazio de si mesmo, porém nesse vazio de si, Deus enxertou seus desejos e Ele andou por toda à parte “efetuando curas e libertações” (At 10. 38/II Cor 5. 19). Alias, o v. 5 nos demonstra que nunca existiu alguém que levasse às últimas conseqüências os desejos de Deus como Jesus. Paulo sabe e vive isso, e agora enxerta também essa verdade na vida de Timóteo (vs. 20, 21/II Tm 2. 2). O segundo capítulo de Filipenses estabelece um relacionamento simbiótico entre a obediência perfeita e a submissão absoluta.
Uma vez que os desejos geram anseios verdadeiramente divinos, eles passam para o estágio seguinte, que é o da realização (Rm 4. 19 – 21/II Ts 2. 16, 17). O desejo de agradar a Deus motivou Davi a lutar contra Golias e o resultado desse desejo foi que Golias caiu. Paulo e Tiago falam fortemente sobre submissão que gera desejos corretos em nós (Tg 4. 2, 3). Para Tiago a ausência de desejos corretos rompe nosso relacionamento com Deus e nos fazem desejar coisas erradas, coisas que Deus não aprova (v.3). Quem deseja pouco (as coisas de Deus) tem pouco poder para fazer aquilo que tem de ser feito no nome de Deus. A vida Cristã não é como uma mágica e o nome de Deus não é como abre – te sézamo! Se não existisse uma relação direta entre desejar as coisas de Deus e o Seu poder em operação, o quadro pintado por Tiago nesses versículos seria um milhão de vezes pior do que já é (vs. 1, 2). Se Jesus não centrasse suas ações nos desejos de Deus, os seus opositores e algozes teriam um fim mil vezes pior que aquela figueira do caminho de volta de Betânia (Mt 21. 17 – 22). Parece meio paradoxal dizer isso que vou dizer. Mas, desejar as coisas de Deus é o meio mais seguro de ter os nossos desejos realizados. Pois é importante para Deus realizar [também] todos os nossos desejos secundários (Sl 35. 27/Mt 6. 31 - 33).
Se as pessoas não amam como Jesus, se não são desinteressadas como Jesus, só posso acreditar que a operação que nelas acontece é do espírito de engano (Mt 24. 10, 11). O Querer e o Efetuar de Deus, só se realizam quando nossas atitudes se harmonizam com as atitudes que Cristo adotou nos versículos acima citados (vs. 5 –10). Caso contrário, terei que acreditar que imutabilidade não é mais um atributo da pessoa de Deus (Hb 13. 8). Quem deseja pouco as coisas de Deus, tem pouco poder, pouca moral e pouca virtude (Fil 4. 8, 9). E isso é comprovado pelos fracassos, fraquezas, prostituições, adultérios e roubos que de forma tão GENERALIZADA se cometem hoje dentro da Casa de Deus. Mas onde os desejos pelas coisas de Deus fixam endereço, você encontra paz, vida, virtude, verdade, transparência, amor, cuidado, zelo, obediência, submissão, fé, amizade, lealdade, alegria, disciplina, piedade, honra, compromisso, proteção graça e temor. Essas pessoas tremem diante do grande poder de Deus, pois sabem que se Deus pode honrar sobremaneira os que Nele crêem e se submetem. Pode ainda muito mais desonrar e envergonhar os que ao Seu nome tentam aviltar com palavras e atitudes (Hb 10. 31). Se eu cuidar da minha vida, Ele certamente cuidará de mim também e na hora certa tirará o jabuti da árvore (Mt 7. 1- 5). Pois tudo o que ele criou deve até o fim permanecer no mesmo lugar (II Pe 3. 4). Gato vai ser gato até o fim. Pássaro vai ser pássaro até o fim. Jabuti vai ser jabuti até o fim. Igreja é igreja e prostíbulo é prostíbulo e covil de ladrões e covil de ladrões (Sl 1. 5b/Is 56. 7/Mc 11. 17). E assim vai ser até o fim! (Ap 22. 11).

Ney Gomes

Obs: Citação de A. W. Tozer extraída do site Café com Deus.

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