Filipenses. Dos legalistas da cada dia; livra-nos hoje!

Dos legalistas da cada dia; livra-nos hoje!
“Pois nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne, embora eu mesmo tivesse razões para ter tal confiança. Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo”.
(Fil 3. 3- 7 – NVI).

Uma teologia só é verdade quando serve para outros e dura para sempre. E isso é regra! Eu preciso dizer isso para que você saiba que as muitas doutrinas que são modas hoje, amanhã, não mais existirão.
No capítulo dois de Filipenses existe uma verdade eterna. Ali, Paulo diz que o verdadeiro serviço a Deus é possível, que Cristo é o modelo e que o exemplo está na vida de Timóteo e Epafrodito. O que Paulo ensina ali é a verdade que faz a diferença em qualquer século e cultura. E essa é a marca da revelação divina. Mais adiante Paulo vai nos revelar uma coisa ainda mais forte e essa regra nos será de fundamental valor se o nosso desejo é ter uma fé triunfante (o poder da letra reside na prática). No capítulo Três de Filipenses O Apóstolo fala da natureza da verdadeira crença em Deus. Crença essa que outrora se achava estar bem descrita na lei de Moisés. Mas Paulo nos revela que é impossível que a pedra posso expressar à altura o verdadeiro desejo de Deus a humanidade (Gal 3. 15- 25/Hb 1. 1- 3).
É complicado emitir um parecer sobre esse assunto num contexto social onde todos acreditam que a fé é uma coisa muito pessoal. Digo isso a respeito do presente tempo em que vivemos (II Tm 4. 3). Onde as pessoas sustentam que a fé se mantém pelos seus méritos e por novas teologias (v. 4). Isso me leva [quer dizer, leva o apóstolo] a falar de dois eventos distintos, de duas pessoas distintas e de uma só verdade em vigor. Quando Moisés esteve com Deus (no monte), deu aos homens duas pedras. E quando Jesus esteve com Deus (no jardim), deu aos homens toda a sua vida. Carne, alma e espírito (do gr. Psuche). Moisés passou dias no monte e Jesus passou algumas horas no jardim (Jo 10. 18).
Isso nos revela a natureza de duas correntes teológicas que existem nesses nossos dias. A primeira diz respeito àqueles que acreditam que somente das alturas [sig, esoterismo evangélico disfarçado] é que se pode extrair algo de bom para os homens. À bem da verdade, à vontade de fazer o bem nunca sai de dentro de nossos corações, por causa da natureza de Deus imprimida em nós.
A segunda diz respeito àqueles que acreditam que somente de Cristo é que se pode extrair algo de bom para os homens. O melhor de Deus aos homens é Aqui representado pela carne, alma e espírito de Cristo. Nesse capítulo maravilhoso da carta aos Filipenses, Paulo está tratando da verdadeira espiritualidade (Hb 10. 38). Ela não está em níveis de altitude e nem em rituais sistemáticos, mas, dentro de cada um de nós. Sua manifestação se dá quando nos assemelhamos a Cristo em sua conduta, recebendo assim, aquilo que a lei há ninguém pode oferecer; que é fé para salvação eterna (v. 9 – Hb 9. 15). O fim da fé não é uma vida de sinais e maravilhas, não, o fim dá fé é vida que passa pela morte e continua a existir (citando W. Nee). E isso nada mais é do que ressurreição (vs. 10, 11). Ressurreição é uma fresta por onde a imortalidade de Deus invade-nos. Dos seus benefícios, dão testemunho quase todos os Apóstolos (Ef 1. 3/II Pe 1. 3/Jd 24).
A fé que agrada a Deus não é a fé que nos faz andar sozinhos, mas, a fé que nos leva a agregar a nossa “rica” espiritualidade a coletividade (v. 17 – Sl 133). Que poder divino é esse que nem mesmo aos mais próximos pode ser revelado (Ex 34. 1- 5). Por acaso está Deus dividido em si mesmo? Não! Porém no ANTIGO TESTAMENTO Deus não se revelou em Sua plenitude (Col 1. 19; 2. 9). Os que crêem em seus méritos e desejam viver a legalidade da pedra devem entender como está seu coração. Ele está duro e divido em duas naturezas, como as tabuas da lei (Col 2. 6- 23). Por um lado ele se relaciona com Deus e por outro, com os homens. Mas o verdadeiro coração espiritual é inteiro e não divido (Jo 15. 9; 17. 21). Nele as pessoas são tão importantes quanto Deus, por que Ele ama essas pessoas por quem deu tudo de Si (Jo 3. 16; 13. 1). A manifestação divina mais importante de Deus aos homens foi realizada na carne e é na carne que se manifesta o maior dom de Deus (I Coríntios 13).

Se nos deixamos enganar por esse esoterismo evangélico que está em voga hoje. Subiremos o monte [que existe em nosso coração] como Moisés e ao descermos tudo o que teremos para dar as pessoas se resumirá em pedras. E não é por acaso essa uma queixa freqüente nas igrejas? Líderes e liderados com corações de pedra e divididos? Se eles têm um relacionamento com Deus, por outro lado querem os homens bem distantes (Tg 1. 8; 4. 8 – na NVI). São rudes e sua vida espiritual é tosca. Seus rostos parecem estar sempre encerados, porém seus corações são as trevas mais negras que existem. E isso também nos trás um certo pavor (Ex 34. 30). Essa espiritualidade é como uma árvore de natal, onde tudo é de plástico e a luz brilha em intervalos. O fim dela também é descrito nas palavras de Paulo, e se resumem em uma vida de aparência, cujo molde produz desejos à medida da vida carnal (v. 19a). Essa espiritualidade [fast food] “súbita e oportuna” é para produzir prazer, riqueza, saúde [?] e status. E esses ingredientes estão presentes na teologia da prosperidade.
A espiritualidade Cristã é como o SOL que brilha incessantemente. Pois a luz necessária à vida é ininterrupta e acessível a todos. E por precisarem os homens dessa luz, é que Jesus disse: – Ide por todo o mundo!

Essa LUZ verdadeira é Cristo em nós. LUZ que brilha para todos os homens e não somente no rosto de um só (Mt 5. 14).
Ney Gomes. Direto de Angra.

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