Filipenses. O Mundo é Feito de Pedaços de Vidro.

O MUNDO É FEITO DE PEDAÇOS DE VIDRO!
“O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor. Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida”.
(Fil 4. 2, 3 – NVI)
Até aos 14 anos me ferir semanalmente era natural. Cabeça, troco e principalmente os membros, mais precisamente os inferiores. Sempre tinha algo nas pernas para coçar ou cuidar. Uma dessas feridas acabou por me dar uma preciosa lição de vida Cristã. Certa vez pulei um muro de um lugar sujo e uma dessas sujeiras eram de vidro, pequenos pedaços de um vidro de esmalte. Alguns desses pedaços provocaram um corte em um dos meus dedos do pé. Pois bem, passado o incidente, meus poderes de cicatrização entraram em operação e dias depois a ferida já era história. Pelos menos foi o que pensei. Uns quinze dias depois ao calçar o tênis do colégio meu pé doía sempre com uma dor leve e contínua. Dias depois o dedo inchou e formou uma bolha de sangue pisado. Foi então que recorri a ajuda de uma mente experiente e superiora; procurei minha mãe. Ela olhou atentamente a ferida e conclui que algo havia ficado lá dentro. Isso mesmo, a ferida cicatrizou e guardou dentro de si um corpo estranho. Dado o diagnóstico, minha mãe me informou que teria que abrir novamente a ferida e tirar o novo hospede de lá de dentro. Minha prima Jussara estava lá em casa nesses dias e fez bem o papel de enfermeira. Um alicate de unha, álcool, algodão, gelo e gilete; com os instrumentos operatórios preparados minha mãe, doutora de casa com PH.D em três filhos começou a operação. Quando a delicada e dolorosa cirurgia chegou ao fim havia um pequeno e inquietante pedacinho de vidro do lado de fora do meu dedo.
Esse pedacinho de vidro me lembra as inúmeras vezes que deixamos a ferida fechar com coisas estranhas do lado de dentro do nosso corpo. As necessidades cotidianas nos tiram a devida atenção que deveríamos ter com os cuidados assépticos. Tempo não perdoa pecado, mas fecha ferida, então sem perceber vamos guardando feridas que não podemos ver e cuidar. Aí, chega o dia em que algo esbarra naquela ferida e a dor interna, outrora escondida se manifesta. Nessas horas todo mundo precisa de uma mãe ou de um fiel companheiro que os ajude a abrir a ferida, tirando assim o que magoa de dentro para fora. Evódia e Síntique não conseguiam ver o que provocava o mal estar entre elas, e era natural, por que essas coisas estavam cicatrizadas e ocultas, mas, o Apóstolo era tão experiente como minha mãe e sabia que um pedaço de vidro pequeno estava em algum lugar desse importante relacionamento. É impossível não se ferir na igreja, afinal, somos todos pecadores, todavia deveríamos voltar nossa atenção para as feridas, buscando sempre a ajuda de alguém mais experiente. Em Filipos Paulo tinha um amigo de trincheira que sabia bem como lidar com feridas, foi a ele que Paulo confiou o caso e os cuidados devidos. Não sei se sobram vidros ou faltam mães, a verdade é que sobra gente ferida na “igreja ambulatorial (ambulatório: enfermaria fixa, onde se atendem doentes que podem andar) dos últimos dias”.
Completada uma década de vida Cristã aprendi algo sobre feridas e muito mais ainda sobre o que as provoca. E sei que feridas são conseqüências das lutas e batalhas (II Cor 1. 8). Já me cansei de superministros imunes a dor e a tudo. Não sei se estou na igreja ou nas histórias dos meus heróis de gibi. Paulo mesmo faz menção as suas feridas e dores, sem se sentir constrangido por isso (Gal 6. 17/II Cor 11. 23- 28). Não é vergonhoso se ferir, vergonhoso é não ter ferida nenhuma (Fil 1. 29/I Pe 3. 17). As feridas são como medalhas que colocamos no peito, do lado de fora do peito, do lado de fora! (At 9. 16).

Ney Gomes

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