CONSCIÊNCIA DA PRESENÇA DE DEUS - SALMO 46

 #Salmo 46 - #Psalm46


Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por isso não teremos, ainda que a terra trema (...) Ele dá fim às guerras (...) Parem de lutar (...) O senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa torre segura".
                                                                  
  (Trechos do Salmo 46 – NVI).
  

   Todas as vezes que lia o Salmo 46 sentia que Deus queria falar algo ao meu coração. Era uma desconfiança que me acompanhava até sexta passada, quando finalmente Deus me revelou o que eu já sentia, mas não compreendia. Não é por acaso que a versão mais antiga da Bíblia em português rotula o Salmo 46 como o salmo da "fé perfeita em Deus". Desde a sua constituição o Salmo 46 vêm inspirando famosos a anônimos a crerem mais em Deus e menos em si mesmos. Famosos com Martinho Lutero que baseado nesse salmo, escreveu "Castelo Forte". Sem a menor sombra de dúvida a fé ainda é um mistério em seu exercício. Ninguém explica, muitos tentam definir, mas muitos há vivem muito bem. Na teologia Davidíca a consciência da presença de Deus é tudo. Evidente que ela é mais importante do que sair dos problemas (e isso é notório na maioria de seus salmos). A teologia só é válida pela experiência, isso é, que a prática define a teoria. E durante mais ou menos duas décadas Davi viveu com duas coisas; uma forte retidão pessoal e essa "consciência da presença de Deus". Alias, sem essa consciência também definida como temor, não se tem retidão pessoal (algumas pessoas são capazes de matar e mentir para manter seu status quo. Talvez como eu, você conheça uma ou duas pessoas assim, com total ausência de retidão pessoal. Pessoas como Saul e Doegue, Sl 52). O escritor de Eclesiastes declara que a opressão faz endoidecer até o sábio (7. 7), mas não aquele que tem consciência da presença de Deus, como vemos nos vinte anos de opressão que Saul impôs a Davi. Talvez o poder da fé possa ser medido por essa consciência. Moíses (Ex. 33) também demonstrou ser dono de tal consciência ao rejeitar o anjo que Deus enviaria em Seu lugar; uma vez que se conhece Deus, não se aceita nada como seu substituto, nem tão pouco mediadores (a). Jó diz (19. 25): Sei que meu Redentor vive! Fala isso, dando também testemunho dessa consciência. Parece que essa consciência está manifesta em todos os grandes nomes da fé, como assistimos também em Paulo: "Todos me abandonaram, mas o Senhor esteve ao meu lado e me livrou da boca do leão!" (2 Tm 4. 16,17). Para os donos de tal consciência é impossível ter sua fé esmorecida ou abalada. A fé de Davi está fundamentada no que Deus fez, no que Deus é, e no que Ele fará, sua essência é descansar em Deus, na soberania e onipresença que ele declara com tão grande confiança nesse salmo: "Deus é o meu socorro bem presente na angústia, meu refugio e fortaleza". No primeiro versículo, ele começa uma seqüência que alcança seu pico no versículo quatro, quando diz: "Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus..." Davi expõe aqui o resultado dessa consciência; o refrigério! Tema sempre presente em seus salmos, inclusive naquele que seja talvez o mais recitado, o 23. Ele pede: "Refrigera minha alma!"

   Que benefício maior poderia nos trazer a fé, senão um real sentimento de proteção e cuidado? A fé de Davi não é uma fé mercantilista, mas uma fé aprovada pelas circunstâncias desagradáveis e sem controle. A dança diante da Arca da Aliança demonstra que a alegria que está embutida dentro da fé, no caso de Davi não foi afetada, devido a essa consciência, que em Davi sempre foi bem vívida. Que coisa engraçada, tentamos fazer as pessoas terem mais fé, mas não temos poder para lhes proporcionar experiências. Nesse aspecto a fé (com seus muitos efeitos) é bem pessoal. Para Davi pode ser muito turbulento estar fora dessa consciência, veja o que ele declara: "Ainda que a terra se mude, ainda que os montes se transportem para o meio dos mares, ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem..." (vs. 2,3). O diabo em algumas ocasiões já demonstrou poder sobre a natureza, mas ainda que ele faça seus truques, aquele que está com Deus está seguro (Mc. 4: 35-41). Se existe em nós um órgão espiritual que secreta ansiedade, essa consciência o fere gravemente, veja o que Davi diz: Ele está no meio dela...aquietai-vos! (vs. 5 e 10). Jesus condena com gravidade todo o tipo de fé com ansiedade (Mt 5.25). Nos manda aguardar a Sua vinda, sem apontar um dia exato para sua volta, tudo isso, a fim de arrancar de nós essa herança do pecado Adâmico. A consciência da presença de Deus é a Pedra (e não Pedro) principal da fé Cristã, sem a qual nada se edifica (1 Pe 2.6). Fica claro para Davi que uma fé está segura se permanece em Deus (v. 5). Por isso é que o Reino de Deus não terá fim, no final dos tempos, Cristo entregará tudo em suas mãos (1 Cor 15. 24).
 Hoje os inimigos da fé se multiplicam rapidamente, agora lutamos contra o descaso, o simplismo, contra a omissão, nascente de nosso conforto e conformismo religioso. Mais um pouco e Deus voltará a levantar profetas para dizer ao seu povo: "Não há verdade em vosso meio! (Os 4. 1) Fé verdadeira é aquela que está embebida em verdade, bondade e conhecimento de Deus, isso é, BÍBLIA. Davi declara no salmo 32, que sentiu horrivelmente os efeitos do pecado que "esqueceu de confessar". Culto racional (Rm 12. 2) é o culto onde o individuo não ignora a importância dessa consciência em seu dia-a-dia, que está preocupado em não pecar contra Deus e contra seus próximos. Davi deixa o confronto que seus inimigos propõem para Deus, ele declara as obras, os feitos do Senhor dos exércitos (v. 9). No dia que Davi abandonou essa consciência, ele cometeu dois erros fatais, primeiro tomou a mulher de um soldado leal, e depois mandou matá-lo (Sl 51. 14), com requintes de crueldade e covardia. Como oferecer a Deus um culto racional, trazendo consigo esses elementos para o altar?
   Para isso e outras coisas, existe as Escrituras, que tem como objetivo conservar essa consciência viva e produtiva. Por isso o Apóstolo Paulo alerta os senhores e os escravos de sua época a meditarem nessa verdade; Deus está bem perto de nós e do efeito de nossas atitudes (Mt 25. 34-40), o suficiente para retribuir a cada um segundo seus feitos (Ef 6. 5-9/Col. 4. 1/Gl 6. 7). A consciência da presença de Deus é a coluna mais forte da fé Davidíca e da fé Cristã. A espinha dorsal do Cristianismo, como diz Paulo: "Se Cristo não ressuscitou... é vã a vossa fé" (1 Cor 1514). Deus é Deus de vivos, pois Ele mesmo anda em nosso meio, e deseja que seus filhos tenham consciência disso (Mt 22. 32/28. 20/Ap 1. 17,18). A fé de um individuo pode sofrer graves alterações se ele se distancia dessa consciência, como tornar-se um místico e uma pessoa com muletas, ou amuletos, seria melhor. Cristo é o Autor e Consumador da fé, se a consciência não  estiver nele, viva e atuante, a fé é morta, como bem acusa Tiago em sua carta (Hb.12. 2/1 Cor 15. 3-8/Tg 2. 14-26). Durante seu ministério terreal, Jesus permaneceu firme nessa consciência como nos acusa suas palavras em João 15. 10: "tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e no Seu amor permaneço". Não podemos viver e respirar em Deus, senão dentro dessa consciência, que também é santa. Por isso as injustiças sociais incomodavam tanto a nosso Senhor, no meio do povo, no templo, nas sinagogas, era inaceitável que o povo que levava sobre si o Nome de Deus, vivesse em tais práticas (Mt 5. 20/9. 13/12. 7). Sem consciência da presença é impossível alcançar o padrão que Deus deseja (Hb 12. 14/13. 12, 13). Todos os planos de Deus estão seguros na vida de uma pessoa, se ela tem essa consciência bem firmada e santificada. Para os Apóstolos Paulo e Pedro, Lideres da igreja de sua época, uma consciência deve ser pura para com Deus. Para Paulo em particular a consciência pura para com Deus, precede uma fé não fingida (1 Tm 1. 5/1 Pe 2. 19 e concordâncias). A consciência da presença de Deus guarda nosso estado psicológico frente à guerra espiritual que enfrentamos todos os dias, mantém nosso comportamento com nossos próximos centrados na vontade de Deus (Jo 13. 34). Por isso a contribuição de Davi para a adoração de Israel foi sem igual, ele redefiniu o relacionamento do povo para com Deus. Para Moíses o tabernáculo era um lugar de expiação, de culpa, mas para Davi, era um lugar de encontro, de prazer e proteção. Para Moíses o tabernáculo era um lugar de ouvir Deus falar, para Davi, era um lugar para falar com Deus. Davi tinha uma consciência tão forte, que acreditava realmente que Deus estava desconfortável habitando naquela tenda por tanto tempo (1 Cro 17. 1 e 6). Por isso no fim dos tempos a promessa é reedificar o tabernáculo de Davi (At 15. 16, 17). Crentes maduros cometem atrocidades terríveis (tais como roubos, adultérios, mentiras, fingimentos, trapaçarias/logros e etc e etc) contra a fé e os santos quando se desviam dessa consciência, abandonando até mesmo a fé, isto é, apostatando (Hb 10. 24,25).

   Para Davi o suprimento de vida de seu povo, era a presença de Deus, um rio que corria de sua fé, dessa consciência viva e sólida que ele tinha, Jerusalém jamais seria invadida e destruída se seus reis permanecessem nessa consciência (um dia Jerusalém voltará a ser um lugar seguro, o lugar mais seguro de um novo mundo – Ap 21/22 - v. 5). Sobre isso Paulo diz: "Nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus". Se permanecermos nessa consciência, seremos tão seguros como Jerusalém no reinado de Davi. Certamente foi essa a riqueza que fez de Salomão o maior rei de Israel, o legado espiritual de seu pai, que se reflete em seu primeiro pedido a Deus (2 Cro 1. 9-12). Essa é a verdade que herdamos da consciência de Davi, que viveu a justiça do Evangelho pela fé (Hb 11. 32). E é essa a herança que devemos deixar para nossos filhos e para as próximas gerações. Uma fé que se torna real porque brota não de palavras, não de ideologias, nem de novas "teologias", mas que brota de uma consciência santa, viva e verdadeira. O fruto de um relacionamento com um Deus que está presente, sempre e sempre (Ap 22. 20).


Ney Gomes. - Twitter@neygms - 21/10/2004.
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10



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