COMO DESTRUIR TORRES E IGREJAS.

 

COMO DESTRUIR TORRES E IGREJAS.

 

"O SENHOR desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E disse o SENHOR: "Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros". Assim o SENHOR os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. Por isso foi chamada Babel, porque ali o SENHOR confundiu a língua de todo o mundo. Dali o SENHOR os espalhou por toda a terra". 

(Gn 11. 5- 9 – Grifo Meu – NVI).

 

Tudo o que sobrou de um dia cansativo de trabalho ele jogou sobre a cama. E naquela noite ele sonhou e esse era o sonho: Uma brisa suave e úmida tocava em seu rosto e a sua frente sob seus pés, as águas arrastavam as areias num continuo movimento. Enquanto ele pensava no que seria aquele lugar e aquelas águas, ao longe uma mulher de lindos cabelos negros lhe chamava. Uma criança surgia correndo em sua direção e em meio a saltos de alegria lhe chamava de papai. E com aquele menino em seus braços sentindo algo totalmente desconhecido, ele chorou e seu choro tinha um misto de alegria e saudade. A mulher de cabelos negros opacos era dona de um lindo par de olhos azuis. E quando levemente ela tocou em seu rosto, ele acordou. Mal o dia havia nascido e grande alvoroço parecia tomar conta da vila, quando saiu de casa, na primeira esquina ele se deparou com aquela grande torre e ela não parecia lhe dizer mais nada. Ali, ele parou e parece que o tempo parou também. O sonho daquela noite tinha tomado todo seu coração e as mulheres carregando água e as crianças as portas das casas lhe pareciam familiares. O ar seco parecia lhe agredir o rosto e a poeira das ruas era agora tão estranho como tudo ao seu redor. Ele se sentiu como se nunca tivesse estado ali antes. O sol surgia por detrás das casas e quando levantou a mão num esforço de cortar a luz, viu o betume que lhe sujava os dedos. Então lembrou do trabalho da torre e no fazer tijolos, mas o orgulho de participar daquela construção parecia estar distante, distante demais de seu coração. Lá de cima da torre todos aqueles homens; pareciam formigas, organizadas e obedientes. Trabalhavam em busca de um sonho em comum. Edificar uma cidade cujo símbolo de sua grandeza deveria tocar os céus, um lugar para estar para sempre, unidos com um só coração, um só sentimento. Dois dias haviam se passado desde o sonho de Tubal e ele não suportava mais aquele lugar, aquela torre, as mínimas coisas. Enquanto andava homens e mulheres corriam de um lado para outro, mas seu coração estava mais acelerado que todos eles. Naquela noite ele mal conseguia dormir (Dn 2. 1), aquele sonhou deixou a forte impressão em seu coração que longe dali ele poderia viver uma vida melhor e mais feliz e a última coisa que pensou antes de adormecer é que deveria fazer algo para encontrar aquela mulher, aquela criança e aquele lugar.

 Ao acordar o sol já estava bem alto, sem perceber em meio aos seus pensamentos ele tinha dormido bem tarde e quando despertou metade do dia havia se passado. Com o coração resolvido e com a roupa do corpo ele decidiu sair daquela vila e procurar o sonho que estava em algum lugar lhe esperando. As ruas estavam desertas. As casas; tudo estava num completo estado de silêncio. Ele andou alguns metros e não viu ninguém e quando encontrou um homem, ele parecia estar doente da boca, pois falava e ele mal conseguia lhe entender. Havia um velho sentado sob a sombra de uma árvore com poucas folhas, com olhar cuidadoso ele havia visto tudo, mas nada parecia lhe incomodar. Tubal chegou perto dele e perguntou por todos e ele respondeu: — Há algumas noites todos nessa vila tiveram sonhos e os sonhos apontavam para muitas coisas e coisas diferentes. Todos tentaram ignorá-los, mas eles os perseguiam durante o dia, lhes chamando, lhes provocando. E parece que todos resolveram ir atrás do que tinham sentido e visto.

         — Foi isso que aconteceu comigo, eu tive um sonho há algumas noites. Disse Tubal, enquanto seu coração assustado pensava no que poderia ser aquilo tudo. Todos tiveram sonhos. Isso só poderia ser coisa dos deuses.

— Você não teve nenhum sonho? Perguntou Tubal.

— Um dia meu filho, Deus visitará os velhos e eles sonharão. Mas, enquanto isso ficarei aqui. Quando Jovem tive muitos sonhos e muitos dele realizei. Estou satisfeito com a quantidade de dias que vivi e espero ansiosamente o encontrar meus antepassados. Como jovem Tubal não tinha visão para entender o que significava o ter uma vida realizada, onde o tempo não ajuda mais no construir dos sonhos.

— E quanto à torre? Perguntou novamente Tubal.

— Ela será esquecida junto com os velhos e com essa cidade. Pois os novos sonhos substituirão os antigos e por conta deles, todos falaram sobre coisas diferentes e serão diferentes. Tubal foi embora e não mais olhou para trás.

 

         E foi assim, creio eu, que Deus destruiu as intenções da fabulosa Babel, colocando um sonho em cada coração e cada sonho apontava para uma direção e um ideal de vida. Deus venceu Babel sem espadas, sem guerra e sem dilúvio. Ele os venceu com a pluralidade de sonhos (Jr 23. 27). Pois os sonhos nos igualam os nos tornam diferentes e é ele que nos agrega quando o temos em comum. Ele nos faz ter o mesmo discurso e o mesmo entusiasmo e é ele que nos anima no labor do dia-a-dia. Aquela realidade de Babel passou a ser um sonho distante e depois uma mera lembrança. Com os corações cheios de sonhos, eles se dispersaram pelo horizonte até que em Babel não restou senão velhos que não sentiam nada ao olhar para a grande torre e que nada poderiam fazer por sua grandeza. E NUNCA MAIS se ouviu falar de Babel, pois uma cidade é como um ninho de pássaros. Isso é, sem ovos, sem vida!

          O derramar do Espírito descrito em Joel é o último ato de Deus antes do arrebatamento da igreja e ele representa o oposto do realizado em Babel (At 2. 1- 12). Uma parte dele se concretiza na inauguração da igreja. Com a descida do Espírito veio o sonho de Deus a imaginação dos novos crentes, para bem da verdade, ela não foi plena, porém suficiente para mover os corações na construção daquilo que por muitas vezes Jesus se achou lutando solitário. Naquele dia eles receberam em seus corações junto com O poder do alto a bendita esperança. De modo que quer fossem para os de fora (evangelização) ou para os de dentro (comunhão), seus corações tinham um sonho somente: O retorno do Desejado das nações.

Por possuírem tão grande sonho, eles venceram suas diferenças, seus medos, suas vaidades e submeteram suas vidas à direção do Espírito para terem a honra de um dia serem achados dignos de estar na cidade santa ao lado do Senhor e de Seu Cristo. Não construíram nada de grandeza vertical, mas nos deixaram à grandeza da coragem e do amor. A grandeza horizontal de amar quem não é perfeito, de amar quem têm tantas falhas que nos faz lembrar a todo tempo a nós mesmos. Amaram o seu próximo, pois tinham o sonho de vê-lO em seu irmão, ainda que em parte (I Cor 13. 12). Fazendo discípulos eles tinham uma visão inexata e temporária, porém maravilhosa Daquele que é perfeito: Jesus! E ver Jesus em si e nos outros era como um sonho a ser perseguido. Um sonho que um dia se tornará real, pois é real aquele que nos faz sonhar. Somos completamente fracos quando não compartilhamos o mesmo sonho e temos a mesma visão. A força da igreja está na grandeza de sonhos em comum, de uma diversidade de dons operando no mesmo propósito, como operários de uma grande construção. Havia diversidade de dons, de operações, de ministérios e a diversidade era incontável em talentos, doação e amor, mas em todos, o sonho era o mesmo: O de encontrar o Senhor nos ares. E com esse SONHO (esperança noturna) eles se consolavam uns aos outros nos momentos de fraquezas e perseguições (I Ts 4. 13- 18). Dessa forma, eles fizeram e nos ensinaram a fazer a instituição mais poderosa da terra: A igreja!

         Quanto ao sonho distante que virou mera lembrança, ele não foi de total apagado de nossos corações, ele dorme no inconsciente dos povos e de alguma forma tentamos mantê-lo vivo. Veja que todas as nações possuem grandes edificações. A torre Eiffel na França, A torre de Pizza na Itália, O Cristo Redentor, no Brasil, A Estátua da Liberdade e as extintas torres gêmeas (WTC) na América do Norte e me falta memória para listar todos os símbolos que representam à torre que um dia cativou e uniu o coração de todos os povos.

 

"Ouvi o que dizem os profetas, que profetizam mentiras em meu nome, dizendo: 'Tive um sonho! Tive um sonho!' Até quando os profetas continuarão a profetizar mentiras e as ilusões de suas próprias mentes? Eles imaginam que os sonhos que contam uns aos outros farão o povo esquecer o meu nome, assim como os seus antepassados esqueceram o meu nome por causa de Baal".  (Jeremias 23. 25- 27 – NVI).

 

Evangelista Ney Gomes – Primavera de 2oo8.



 


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