Especial APÓSTOLOS (S. Paulo) + que especial!




POBRES MENINOS RICOS DE JERUSALÉM.

"Vocês ouviram qual foi o meu procedimento no judaísmo, como perseguia com violência a igreja de Deus, procurando destruí-la. No judaísmo, eu superava a maioria dos judeus da minha idade, e era extremamente zeloso das tradições dos meus antepassados".  (Gálatas 1. 13, 14 – NVI).



Apesar de pequenos em número, os fariseus tinham uma grande influência sobre a vida cotidiana e espiritual de Israel. E era o desejo deles que esse poder continuasse a existir. Mas, nas ruas, nas casas, em alta voz ou em sussurros, o assunto do momento era o tal Jesus, assunto que eles achavam já terem resolvido. Eles se reunirão depois que algumas tentativas de intimidação fracassaram (4. 21ª) e discutiram. Alias, isso era o que faziam de melhor. Haviam se esforçado muito na tentativa de parar os seguidores da seita "do Caminho", e concluíram que toda força usada não tinha sido a necessária. Era preciso uma severa perseguição, algo sem limites éticos, sem limites geográficos; algo sem igual. Eles precisariam de alguém que estivesse de frente. Dessa vez tinha que ter um rosto, um símbolo, um nome. Não poderiam ser eles (por questões religiosas), mas, tinha de ser deles. Deveria ser fariseu sim, mais que isso! Tinha que ter um grande nome, uma grande história familiar, aluno de um grande mestre, um grande conhecimento, tinha que ter um grande potencial, tinha que ter zelo religioso em excesso e tinha que ter uma grande fúria!
         Um homem com esse perfil receberia deles grandes poderes e um grande cavalo. Para os Fariseus, Saulo de Tarso (que era deles sem ser eles) era o homem ideal para liderar essa grande empreitada (A Cruzada Judaica). A nova seita crescia rapidamente (5. 28) e eles queriam dar uma resposta à altura e o Jovem Saulo era o instrumento perfeito para isso. A escolha de seu nome só servia para mostrar como era grande a preocupação que eles tinham com o seu status quo.
Saulo fez tudo o que lhe foi permitido fazer e houve grande alegria entre os fariseus pela escolha tão acertada. As coisas pareciam estar voltando à velha normalidade (At 8. 1). Mas, era a hora de avançar, de consolidar resultados e Saulo queria ir mais além, queria ir para Damasco. Rumores vinham de lá e indicavam o nascimento de uma nova liderança ali. As cartas que trazia junto a si, da mais alta autoridade do templo lhe davam poderes para prender, mas, ele não queria fazer prisioneiros. Saulo queria matar!
Quando todos aqueles que haviam prendido (8. 3) souberam de suas intenções, resolveram que deveriam fazer alguma coisa. E eles então começaram a orar por um milagre que jogasse por terra as intenções de Saulo. Meio dia já tinha se passado desde que Saulo deixou Jerusalém, o sol brilhava em todo seu esplendor (26. 13) e a fadiga dos cavalos deixava a viagem ainda mais irritante. Naquele dia os cavalos pareciam estar agitados com algo mais, talvez uma cobra, não se sabe. Mas, eles pareciam evitar cada passo, como se algo estivesse a sua frente. Foi então que Saulo na dianteira de seus homens abruptamente foi jogado de cima do cavalo, e de forma muito rápida lhe pareceu que um homem estava dentro daquele forte clarão, sentado sobre um cavalo branquíssimo e algo inelegível aos seus marejados e irritados olhos escrito à altura da coxa (Ap 19. 16). A grandeza dos fariseus havia chegado ao fim. Pobres meninos ricos! Tão grandes, mas, não conseguiam tocar o céu. Naquele caminho para Damasco Saulo encontrou uma coisa maior do que pensava ser e representar. Ele se chocou com a vida de oração da igreja e a sua Resposta.
Saulo era um homem atormentado por suas dúvidas secretas, que nunca soube bem porquê fazia o que fazia, mas, que representava bem seu papel naquele teatro de horrores. Talvez se ele matasse mais e prendesse mais os daquela seita, Deus faria as coisas terem mais sentido. Todos os dias dizia a si mesmo: — Você precisa ter o zelo de um profeta se quiser ouvir Deus chamar seu nome, como chamou o de Samuel (I Sm 3. 10).
Ali no chão com a cara e a boca cheias de terra, Jesus respondeu ao seu íntimo questionamento: Saulo, Saulo, por que você me persegue?
Foi-lhe incrível a forma como Jesus respondeu as suas dúvidas matinais. E aterrador saber o que de fato estava fazendo (I Cor 15. 9 e demais refs.). E pior ainda. Saber que Jesus Nazareno era Deus e que conhecia seu coração e que estava perseguindo Deus. Como um homem religioso sentiu tanta vergonha que desejou morrer ou ser vitimado por uma tragédia. Quando aquele atordôo passou, seus problemas pareciam estar resolvidos e sem questionar, totalmente cego, levantou e decidiu adiantar sua passagem para a outra vida que ele agora não sabia mais se iria obter, deixando de comer e beber .     

Todavia, dias depois, suas pretensões foram mais uma vez jogadas por terra, com o anúncio de uma nova missão e a restauração de sua visão. Jesus agora lhe chamava para ser um verdadeiro profeta, como tanto desejou seu coração. Igual em peso, dor, perseguições e traições. Mas, ele seria em uma coisa diferente dos outros profetas, ele seria agora Paulo, ele seria pequeno (At 13. 9).
                                                                              
                                                                                   Ney Gomes - Out/2008.

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