A GRANDE JOGADA (Filho Pródigo)

A GRANDE JOGADA DA VIDA.

(A parábola do filho pródigo sob outro olhar – Luc 15. 11 ao 32).

 

"Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros..."

(Romanos 13. 9 – NVI).

 

 

Sentado a sombra de uma figueira e com um olhar perdido no horizonte, lhe ocorreu que o destino lhe tinha dado um grande crédito em sua filiação. Para um jovem que enxergava a vida como um jogo, a sorte parecia estar lhe soprando aos ouvidos o número dos dados. Faltava-lhe apenas coragem para uma aposta mais alta. E diante de circunstâncias que possuíam poucas possibilidades de prejuízo, ele procura seu pai e pede a parte do que teria direito como filho. Os pensamentos que tinha sobre o futuro lhe tornavam num jovem alegre e sonhador, totalmente o contrário de seu irmão mais velho. Ao lhe ouvir falar sobre viver, seu pai se enchia de alegria em ver os seus olhos brilhando; suas palavras pareciam sempre estar celebrando a alegria de mais um dia, mais um encontro, mais um amigo. Falava com tanta certeza sobre o caminho que queria seguir que era difícil achar que ele não seria bem sucedido. O pai então dividindo seus bens deu a parte que lhe cabia, na certeza de que além da alegria de viver ele seria dono de uma grande fortuna. Então o filho saiu e com as fichas na mão sentou à mesa para jogar. Na primeira jogada ele perdeu, mas, não desistiu e jogou novamente. Na segunda perdeu até que perder se tornou uma rotina. E depois de apostar tudo e perder, perdeu também a alegria de viver e celebrar.

Bem que os amigos desejaram ajudar, todavia uma grande seca tirava dos campos a riqueza que eles poderiam lhe emprestar. Longe dali, entretanto, ao final de mais um dia, diante dos campos secos e do gado magro, uma prece subia aos céus. Era seu pai, que perdido com o olhar no horizonte rogava a Deus pelo sucesso do filho. Um amigo que também tinha sido roubado pela seca, lhe ajudou quase sem poder, somente por compaixão, dando-lhe um trabalho entre seu quadro de empregados já tão carregado. Havia pouco e por isso, para o bem de todos tinha que ter justiça para administrar. O que era dos porcos era dos porcos e o que era dos homens lhe seria dado no fim do laborioso dia. Ele cuidava dos porcos sob o sol quente quando foi derrubado por uma tontura causada pela fome e insolação. Mas, nunca uma queda lhe foi tão oportuna. Ali, diante de seus olhos, entre o excremento e a grama estava uma dracma, perdida, procurada desesperadamente, lamentada. E ocorreu-lhe ao coração que mais uma vez o destino lhe favorecia. Era a hora de fazer à última e grande aposta, mas dessa vez ele não poderia perder. Tinha que ser uma banca forte, uma banca certa, uma banca diferente de tudo até aquele momento, uma banca que ainda não tivesse sentido o valor de sua ousadia. E aquele jovem decidiu apostar todo o pouco que tinha no amor de seu pai. Voltar, admitir a derrota e reconhecer que o jogo foi melhor que ele não eram coisas fáceis a serem feitas. Mas, ele não tinha apostado nisso ainda e era algo a ser experimentado. Em meio a tudo isso, surge de forma inesperada um sorriso em seu rosto e ao olhar para o céu depois de tanto tempo, ele sente paz em seu coração.

O longo percurso era o ideal, ali, caminhando ele repassou para si mesmo todo o plano antes elaborado, que dizia respeito a melhor forma de entrar naquele novo jogo, e decidiu em certa altura que seria com humildade, seguido de um reconhecimento de seus erros. Se quisesse aprender algo com seu pai, teria de ele mesmo esquecer a forma como sabia e começou a jogar. A grande distância que percorreu consolidou em seu coração a firme decisão de ir até o fim, e a banca já estava posta para o jogo. Quando ele chegou bem ao finalzinho do dia, os empregados voltavam dos campos e seu pai como fazia todos os dias, se encostava esperançoso na árvore que junto com ele viu seu filho mais novo sumir no seco horizonte. Ele pensava ainda sobre essa cena quando de repente avistou um homem de andar conhecido, aparentando estar mais sujo e magro que seus empregados. Todavia seu coração experimentado não se deixou enganar; aquele certamente era o seu querido filho. Seu espírito então reviveu e a vida entrou nele novamente. Ele correu. E correu como fazia no tempo em que seus filhos eram crianças, para evitar que eles se machucassem com suas peraltices. Era incrível para ele que seu filho ainda pudesse estar de pé. Seu andar trôpego denunciava uma caminhada sobre-humana, um esforço quase religioso. Mas, a alegria de seu pai fez com que cada passo valesse a pena. Com o olhar cheio de compaixão (sentir a miséria alheia, sentir amor no coração) ele o abraçou, beijou e o ajudou a terminar o caminho de volta (I Pe 4. 8). O jogo havia chegado ao fim para ele. O amor de seu pai fez dele o vencedor. E ele aprendeu que não devemos apostar, mas se temos que apostar, que seja no amor e aprendeu que não devemos dever, mas, se temos que dever, que seja então o amor, pois quem ama sempre vence, mesmo ganhando ou perdendo o jogo.

 

 Ney Gomes.



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