EVANG. EMOCIONAL - JUDAS ISCARIOTES.




Evangelho Emocional – Especial.

TRAÍDO PELO FASCÍNIO.
(Judas como você nunca imaginou)

"Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades"...
(Cazuza, profeta sem santidade).

            Todos seguiam Jesus com grande admiração. Ele era bem mais do que as palavras podiam expressar; e o povo sentia isso (Mt 7. 28, 29). E não demorou muito para que o olhar atento de um dos doze visse isso. Judas costumava se importar com detalhes que em geral outras pessoas deixavam passar despercebidos. Como o valor exato do perfume derramado por Maria nos pés do Mestre (Jo 12. 4, 5), e na ocasião que Jesus evitou ser morto sumindo diante dos olhos de uma grande multidão (Lc 4. 29, 30). E como se isso já não fosse demais, Ele o repetiu outras vezes (Jo 8. 59: 10. 39).
            Nesses dias, Judas se valia da bolsa (reserva financeira do ministério de Cristo) para fins particulares (Jo 12. 6). No entanto, a bolsa se esvaziava, à medida que Jesus se aproximava da hora do fim (Mt 6. 19- 21). Pois não foram poucas às vezes, que naqueles dias, Jesus lhe mandara dar dinheiro aos pobres (Jo 13. 29). De modo que, a soma de tudo já não era suficiente para ocultar uma leve retirada. E por causa dessas coisas, Judas sentiu a urgência de elaborar um novo plano. E ele tinha inteligência para isso.
            Ainda sobre o impacto das milagrosas escapadas de Jesus, lhe subiu ao coração que isso poderia sem prejuízos para ninguém, servir de enorme e segura fonte de lucro. Não demorou muito para que ele ligasse isso à grande hostilidade que os principais e sacerdotes nutriam por Jesus (Mc 14. 1). Judas não guardava nenhum tipo de respeito ou reverência por eles, e isso, não lhe era particular. A inveja que tinham de Jesus era visível ao mais comum dos homens (Mt 27. 18). Por isso, Judas decide fazer deles sua fonte de lucro fácil.
            Judas se sente meio confuso, mas, consegue alinhar seus pensamentos para enganar Caifás e sua cúria, ignorando completamente a origem de seu mal estar (Jo 6. 70). Quando declarou seu plano houve grande alegria e promessa financeira (Mc 14. 11). Judas logo percebeu com isso, que seria o dinheiro mais fácil ganho em toda a sua vida, e sem demora, a plantação vai começar!
            Nessa altura dos acontecimentos, já não tinha mais nenhuma duvida sobre as habilidades de fuga de Jesus. Mas, para reduzir ainda mais os riscos, ele prepara a entrega "do Pacote" para o período noturno. Ora, se de dia prender o Mestre era impossível, à noite, isso se tornaria em algo impensável. Com um pouco de sorte, Jesus nem desconfiaria de nada, pois aqueles homens estavam sempre lhe armando ciladas (Mc 3. 6). Um trato cumprido, uma fuga milagrosa e no dia seguinte tudo estaria como antes. Com exceção das trinta moedas de prata em seu bolso!
            Então, na hora marcada Judas chega ao local. Bom para ele que fosse ali, pois conhecia bem aquele lugarejo arborizado (Jo 18. 2). Depois de tudo feito, saberia muito bem para onde fugir e se esconder. Rir com tranquilidade de sua esperteza e do bom negócio fácil que fez. Assim que beijou Jesus os guardas o prenderam. Ele correu para entre as árvores. Não ficou tempo suficiente para ver que algumas coisas não deram certo como imaginara (Lc 22. 50, 51). A multidão já quase entrava no templo quando Judas se aproximou. Seu peito começou a palpitar forte; Jesus ainda estava acorrentado entre os guardas do templo. Para se tranquilizar disse a si mesmo que era uma questão de horas. Mas, as horas foram escorrendo pela noite fria e nada de novo acontecia. A madrugada logo chegou, trazendo em suas asas a escuridão mais profunda, e a certeza do lucro fácil se transformou em uma dor agonizante.
            Por quê Jesus ainda não fugira? Por quê eles escarneciam e batiam tanto no Mestre? Por quê ele nem sequer se defendia? Suas certezas agora eram espinhos cheios de crueldade. Judas ainda tentava se convencer que não era um monstro quando surgiu os primeiros raios de sol. Ainda tinha esperanças que algo do que imaginou tivesse acontecido. No entanto, ao ver Jesus acorrentado, ensanguentado e sujo, saindo do templo em direção ao palácio de Pilatos, desmoronou de vez em seu ânimo.
            Em seu desespero, interrompe aquele cortejo de morte. E de forma aberta, declara e anuncia a sua total culpa. De uso da mesma coragem que usou para planejar a entrega, ele agora se arrepende. Confessa seu pecado, se desfaz das moedas e declara com vigor apostólico a natureza de Jesus (Mt 27. 4/At 3. 14). Mas, aquilo não sensibilizou os príncipes dos sacerdotes e os anciãos. Aqueles homens nunca foram reconhecidos por terem demasiada compaixão (Mt 23. 14). Judas saiu dali sem saber bem o que fazer. Nunca havia sido tão sincero em toda a sua vida, e mesmo assim, tudo ainda estava como antes; contra ele. As probabilidades, as estatísticas, os dados, os ensaios, parecia que não dava mais para reverter o curso dos acontecimentos.
            Aquele homem era justo, era santo; era inocente! Judas amava Jesus e só fez o que fez, por que acreditou mesmo que poderia controlar os resultados. Quando entendeu que não, viu o mal que causou e decidiu pagar o preço por ter errado tanto (Mt 27. 5).
Judas era mais inteligente do que imaginava. Seus pensamentos sobre as milagrosas fugas de Jesus estavam certos. O calculo de tempo e circunstância é que era impreciso. Se tivesse esperado um pouco mais, teria visto duas coisas que mudariam a sua vida: Primeiro. Jesus mais uma vez se livraria da mão de seus inimigos (At 2. 24 e 32). Dessa vez, para estabelecer uma rota, um caminho de liberdade (Hb 10. 20). E em segundo. Não existe lucro maior do que ser chamado seu amigo (Mt 26. 50/Jo 15. 15).

Ney Gomes – 23/04/2010.
Ele continua sendo vendido, mas, não mais pelo fascínio! 

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas