João 10 - Uma Revelação Necessária.

 

UMA REVELAÇÃO NECESSÁRIA.

Princípio de Batalha Espiritual.

A vida cristã exige flexibilidade em papéis, mas firmeza inabalável na identidade: somos de Cristo. João 10 revela duas verdades essenciais para quem quer caminhar com firmeza no Reino — a importância de relacionamentos verdadeiros e a motivação que nos faz permanecer no chamado. Entender essas verdades ajuda a resistir às investidas do inimigo, especialmente àquela que mais destrói: o abandono.

Resumo de João 10.

Jesus se apresenta como o Bom Pastor e descreve o que o inimigo faz: vem para matar, roubar e destruir. Porém há uma quarta tática, menos percebida e muito mais letal — o abandono. Enquanto matar, roubar e destruir são óbvios, o abandono mina responsabilidades, relações e motivação até que a pessoa esteja vulnerável à destruição completa. Como coisa didática e infantil, Jesus vai fixar esse quarto elemento com uma ilustração. A ilustração é para deixar claro a necessidade de não ignorar. O número 4 na Bíblia é símbolo de governo e estabilidade. Se a obra do diabo fosse apenas resumida em 3 elementos ela estaria incompleta ou oculta, o que naturalmente nos seria um perigo ou desastre.

“Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. (João 10. 12,13)

As quatro investidas do inimigo.

Jesus descreve (de modo subjetivo aqui) as ações do inimigo. Três são conhecidas; a quarta precisa de atenção e por isso, merece uma ilustração para ganhar poder para ser memorizada.

  • Matar — enfraquecer a vida espiritual, emocional ou física. Fazer deixar de existir.
  • Roubar — tirar bênçãos, tempo, paz, oportunidades. Esvaziar de significado e importância. Fazer cansar pela ação repetitiva de perda.
  • Destruir — arruinar relacionamentos, ministérios, sonhos. Fazer algo nunca estar em capacidade plena para acontecer.
  • Abandonara característica mais letal: fazer com que você abandone o que Deus confiou. O abandono gera as maiores derrotas que uma pessoa pode experimentar em sua vida. O povo brasileiro sabe instintivamente que não se deve abandonar as coisas e pessoas que nos foram confiadas. Um ditado cultural nosso apregoa: “Missão dada é missão cumprida” (Jr 48. 10).

Por que o abandono é tão perigoso?

O abandono costuma ser gradual e dissimulado. Quando alguém abandona a posição, a relação ou a motivação que o Senhor confiou, abre brecha para as outras três ações do inimigo. Jesus ilustra isso com a comparação entre o bom pastor e o mercenário: o mercenário foge diante do perigo porque nunca se entregou de verdade, nunca teve motivações justas de verdade.

“Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos (aptos para promover abandonos), por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco (isso é, não nos teriam abandonado); mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós. (I João 2.18, 19 – grifo meu)

Três dimensões do abandono.

O abandono atua em três níveis — e cada um corrói uma parte fundamental da vida cristã:

  1. Abandono posicional — deixar a responsabilidade recebida. Quando alguém sai da posição que Deus confiou, a obra fica vulnerável (II Sm 23. 11).
  2. Abandono relacional — negligenciar a comunidade, o cuidado mútuo e a comunhão. Hebreus 10. 25 lembra da importância de não deixar de congregar, porque precisamos uns dos outros. O primeiro homicídio teve por origem um abandono relacional, Caim em seu coração abandonou Abel.
  3. Abandono motivacional — perder a paixão, a fome por Deus e o propósito; é quando a pessoa “já não liga mais” e para de orar, de buscar e de servir. Não saber mais por que se faz algo é perigoso quando fazemos parte de uma engrenagem tão importante como família e igreja (III João 7). Num contexto jurídico espécies de “abandono” configuram crime.

Como resistir ao abandono.

Resistir é prático e espiritual. Algumas atitudes claras ajudam a manter o que Deus confiou nas nossas mãos:

  • Segure o que Deus te deu: não largue no primeiro obstáculo. Pegar pouco e terminar vale mais do que acumular e abandonar tudo. Jesus definiu aqui seu sucesso em sua capacidade de entregar tudo, se derramar totalmente, se comprometer por inteiro (v. 28)
  • Verifique suas motivações: faça higiene espiritual. Por que você serve? Para glória de Cristo ou por outras razões? (Rm 12. 1- 3)
  • Cultive relacionamentos: participe da comunidade, acolha e seja acolhido. Não subestime o poder de um abraço, uma palavra ou uma presença (Sl 133. 1). Jesus morreu por relacionamentos (Jo 3. 16).
  • Aprenda a passar o bastão: quando for tempo de sair, antecipe, formalize a entrega. Não abandone simplesmente; transfira com responsabilidade. Um ditado diz que “macaco velho não larga um galho enquanto não põe a mão em outro”.
  • Concentre-se no que você faz bem: faça com excelência o que Cristo te confiou; deixe outras tarefas para quem foi chamado para elas. A frase "Concentre-se naquilo que você é bom. Delegue todo o resto" é um famoso conselho de Steve Jobs, que incentiva o foco em suas maiores competências para alcançar excelência e eficiência no que se faz.
  • Reavive a paixão: busque a presença de Deus diariamente. O fogo do Espírito Santo é o antídoto contra todo desânimo. Cuide de si mesmo para ser útil aos outros, cuida melhor de todos quem começa por si mesmo! (II Tm 4. 13)
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Referências bíblicas que reforçam o ensino.

Algumas passagens que ajudam a entender e aplicar esse princípio:

  • João 10:10 — “O ladrão vem para matar, roubar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.”
  • João 10:12-13 — a imagem do mercenário que foge mostra o perigo do abandono.
  • Lucas 9:62 — “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” Persistência é requisito.
  • Hebreus 10:25 — a necessidade de permanecer em comunhão, sem abandonar os encontros da fé.
  • Hebreus 13:5 — contentamento e fidelidade: “Não te deixarei, nem te desampararei.”
  • Lucas 15 — a parábola do filho pródigo ilustra o caminho de quem abandona tudo, casa, família e responsabilidades.

Ação concreta para 2026.

Que 2026 seja um ano de segurar o que Deus confiou. Algumas atitudes práticas para começar agora:

  • Escolha duas ou três responsabilidades e comprometa-se a concluí-las.
  • Revise (exerça vigilância) sua rotina espiritual, é ela que alimenta suas motivações mais íntimas: leitura da Palavra, oração e comunhão.
  • Se estiver cansado, peça apoio à comunidade; não use a sua humanidade como desculpa para abandonar coisas e pessoas. Ser humano não é opcional, mas ser medíocre sim! (Sl 122. 1)
  • Quando precisar sair de uma função, faça a transição com transparência e gratidão. Um pato reconhece outro pato na lagoa!
  • Monitore suas motivações: anote por que você serve e releia mensalmente. Gente inteligente não confia na memória. Cabeça serve para ter ideias novas e não para guardar informação.

Palavra final de encorajamento.

Abandonar abre portas para o governo do inimigo; perseverar (segunda milha) garante a experiência da vida abundante que Jesus promete. Não se renda ao desânimo ou a influência de fracassos alheios (Hb 12. 2). Segure firme aquilo que Deus colocou em suas mãos e permita que a igreja seja o lugar onde se restituem identidade, propósito e destino.

João 10:28“Dou-lhes a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrancará da minha mão.”

Permaneça fiel, cultive relacionamentos, cuide da motivação do seu coração e confie: Aquele que te chamou, te guarda, sustenta e protege. Aguenta firme, Ele logo vem!!!


Ney Gomes - 13 de Janeiro de 2026 – Twitter@neygms

 “Tudo o que passou é experiência. O agora é relacionamento e o que está por vir é desafio”.


 


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