Especial - Jurisdições Espirituais.

 


JURISDIÇÕES ESPIRITUAIS.
(Esse não é um devocional sobre o Salmo 46).

“Portanto não temeremos, (...) ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza”.  Salmos 46. 1-3a | trechos – ACF)

Rios, mares e montanhas naturalmente estabelecem fronteiras. Separam territórios, povos, culturas e idiomas. O Brasil, por exemplo, é protegido por grandes rios, cadeias de montanhas e uma extensa floresta. Ao atravessarmos essas fronteiras naturais, encontramos outra língua, outra cultura, outro território. O Atlântico, por sua vez, nos separa da África e da Europa.

O Salmo 46 apresenta uma realidade semelhante, porém invisível: jurisdições espirituais.

Há lugares da alma onde experimentamos angústia, incerteza, tristeza e inquietação. Mas Davi enxerga além dessas circunstâncias. Ele identifica as fronteiras de um território espiritual e declara: “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não será abalada.”

Davi não está apenas descrevendo um lugar. Está revelando uma jurisdição.

Ele fala de mares, montanhas e rios porque compreende que existe uma fronteira entre o território da inquietação e o território da presença de Deus. E essa fronteira não é rompida pela força humana, pelo mérito da carne. É atravessada pela fé.

Por isso, os povos se enfurecem. Esse Reino não pode ser alcançado por genealogia, mérito, poder das armas ou direito sanguíneo. Não pertence aos que conseguem conquistá-lo; pertence aos que recebem, pela fé, aquilo que Deus oferece. Pertencem aos que se rendem de coração!

É por isso que esse Reino é mais precioso do que terras raras, petróleo ou minerais de valor tecnológico. Porque ele possui aquilo que nenhuma riqueza terrestre consegue produzir: paz para o coração humano, paz para seus súditos (I Pe 5. 7).

E esse Reino não está desprotegido. Seu próprio Rei o defende com a própria vida, com toda a sua força e com todo o amor do Seu coração: “… ele levantou a sua voz e a terra se derreteu”. (Sl 46:6b)

Por isso Davi encontra nele refúgio. Não apenas um território seguro, mas a paz de estar sob o governo de um Rei de verdade (v. 1).


Jesus, porém, nos lembra de uma realidade inevitável, que existe para além dos limites desse Reino: “No mundo tereis aflições.” (Jo 16. 33)

Fora dessa jurisdição, encontramos dores, cansaços, inquietações e angústias. Nele, o homem vive sob jugos que muitas vezes parecem mais pesados do que aqueles impostos por governantes tirânicos (Cl 4. 1).

Mas Paulo nos revela o que torna esse Reino – de Deus – incomparável (Rm 14. 17). Não é sua extensão, não são suas riquezas e não é o valor de suas terras:  É a proximidade de seu Rei (v. 5a).

O Rei não governa à distância, Ele se aproxima do coração dos seus súditos. Por isso, Paulo nos chama a abandonar o antigo pensamento, a antiga maneira de viver, marcada pela solidão, pelo descaso e pela inquietação de outros lugares: 

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Fil 4. 6 | ACF)

A fé nos permite atravessar essa fronteira. E, quando confiamos no Rei com todo o coração, força, alma e entendimento, descobrimos uma riqueza que as circunstâncias não podem nos roubar: a cidadania celestial (goldcard).

E essa cidadania não nos retira do mundo (Mc 9. 50). Ela nos devolve ao mundo com uma missão. Quem encontrou a paz deve levá-la a quem ainda vive em inquietação. Quem encontrou esperança deve levá-la a quem vive em desespero. Quem encontrou o Reino deve testemunhar que existe um Rei.

Por isso, a renovação da nossa mente – dentro desse reino – não é apenas uma experiência pessoal. Ela alcança as nações e coloca no coração dos homens o desejo por aquilo que é bom, agradável e perfeito (Romanos 12. 1- 3).

Porque existem fronteiras que os olhos naturais não conseguem enxergar (Fl 3. 20). Existem águas cujas correntes alegram a cidade de Deus. Existem lugares onde a alma encontra refúgio (leiam Colossenses 3. 1- 17).

Existe um Reino. Existe um Rei (Mat 5. 1- 12).

E existe uma paz que este mundo não pode produzir com o melhor dos seus valores. É nesse lugar que Davi nos convida a permanecer (v. 8).

É pela fé que somos recebidos. É pela presença do Rei que somos sustentados. E é dessa experiência que nasce a nossa missão: levar ao mundo aquilo que recebemos dentro dessas jurisdições espirituais. Que possamos atravessar, pela fé, as fronteiras da inquietação. Que abandonemos o medo e descansemos no Rei. Que o nosso coração encontre a verdadeira Riqueza. Que a nossa alma encontre a verdadeira paz.

E que, de posse da nossa cidadania celestial (Ef 2. 19), possamos levar essa paz aos homens, exaltar o nome do Altíssimo e testemunhar, com a nossa própria vida, que existe um lugar onde o coração pode descansar (Mt 11. 29).

 

Ney Gomes - 02/09/2026 – #bloggrãos

"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo."

1 Timóteo 4.10 


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