O Casamento e as Portas de Jerusalém (02/12).
O Casamento e as Portas de Jerusalém 2.
A Porta dos Peixes.
A Porta dos Peixes nos ensina que um casamento
saudável nunca existe apenas para si mesmo. Ele foi criado por Deus para gerar
vida, multiplicação, herança e legado.
Na raiz da palavra "peixe", na
língua hebraica, encontramos a ideia de crescimento, fecundidade e reprodução.
Esse significado amplia nossa compreensão de que Deus não nos chamou apenas
para viver uma vida a dois, mas para deixar uma herança que permaneça após
nossa passagem por este mundo.
Em seu sentido mais literal, entendemos que Deus
nos concede filhos para a glória do Seu nome (Mat 13. 47, 48).
"Os
filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele dá. Como flechas nas mãos
do guerreiro, assim são os filhos da mocidade." (Salmo 127:3-4)
Entretanto,
essa verdade vai além da paternidade biológica. O Senhor nos chama não apenas
para gerar filhos da carne e do sangue, mas também filhos espirituais, pessoas
que serão alcançadas, discipuladas e conduzidas ao Reino de Deus por meio do
nosso testemunho (em todo lugar).
O maior
exemplo disso está em Jesus Cristo. O Evangelho de João declara:
"Veio
para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, a todos quantos o
receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus." (João 1:11-12)
Cristo não apenas formou discípulos; Ele gerou uma
família espiritual (Ef 2. 19). Seu ministério produziu filhos para Deus. Peixes
vivem em coletividade (cardumes), vale a pena lembrar!
Da mesma forma, a Porta dos Peixes nos
lembra que o primeiro resultado de uma vida saudável é sempre o crescimento.
Onde existe vida, existe multiplicação. Onde existe saúde espiritual, existe
reprodução. E onde há reprodução, também há sustento, continuidade e legado.
Por isso, um casamento segundo o coração de Deus
não pode ser estéril espiritualmente. Ele deve produzir frutos que alimentem
outras vidas e influenciem as próximas gerações.
No cristianismo primitivo, o peixe tornou-se
um dos símbolos mais conhecidos da fé Cristã. Em tempos de perseguição, ele
identificava aqueles que pertenciam à família de Cristo. Mais do que um simples
desenho, representava uma identidade compartilhada (um alvo), uma família
espiritual que se reconhecia em qualquer lugar.
Essa é a marca que Deus deseja imprimir sobre cada
lar: uma identidade que revela Cristo e faz com que outros reconheçam Sua
presença. Além disso, o peixe também é um símbolo do discipulado. Não
foi por acaso que Jesus chamou pescadores para serem Seus discípulos e lhes
declarou: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." (Mateus
4:19)
A missão do discípulo é
multiplicar discípulos. A missão de uma família cristã é gerar outras famílias
comprometidas com Deus. Existe um antigo ditado que diz:
"Filho de peixe, peixinho é."
Embora seja um provérbio popular, ele
expressa uma verdade espiritual profunda: os filhos aprendem muito mais pelo
exemplo do que pelas palavras. Eles reproduzem aquilo que contemplam
diariamente. Por isso, a Porta dos Peixes desafia cada casamento a perguntar:
O que estamos reproduzindo?
Estamos deixando apenas descendentes, ou estamos
formando discípulos? Estamos construindo apenas uma família, ou um legado para
o Reino de Deus? Toda porta restaurada em nossa vida deve conduzir à
multiplicação daquilo que Deus realizou em nós. Um casamento restaurado não
termina em si mesmo; ele gera vida, forma discípulos, fortalece famílias e
deixa uma herança que continuará anunciando a glória de Deus por muitas gerações.
Por Ney Gomes – 24/04/26
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