MEMÓRIAS DE UM PARDAL, OUTRAS 3.
O CONTO DO SARUÊ*.
Depois de seu encontro com o sábio Sapo Cururu, Pardal
ficou pensativo, pesando na balança do seu coração cada palavra sábia que ouviu
(pág.
19). Mas a tristeza que lhe arrastava parecia ter
uma tonelada (II Co 10. 5). Ele não conseguia segurar suas lágrimas, mesmo
diante dos conselhos de sabedoria (Ef 3. 20).
Um Sariguê [Didelphis aurita]
que estava em viagem, descansando num galho próximo escutou todas as palavras
do Sapo Cururu.
— Ei Pardal, A gente precisa também “imaginar”. Se você quer ser uma “Águia
Majestosa”, se imagine já sendo uma! Às vezes, na hora do perigo e da
tristeza, a imaginação é mais importante que o conhecimento e amor próprio (Fl
4. 8).
— Seu Saruê, eu não entendi, disse o Pardal.
Então o Sariguê, lhe contou uma história muito louca sobre o
poder da imaginação, que ele jurava ser verdade, acontecida lá para as bandas
do sertão de Piritiba:
Era uma vez uma Asa-branca, avezinha muito esperta. Um dia
foi visitar a floresta do Mato Baixo. Se perdeu por lá pra dentro. Um Gavião-caboclo,
morto de fome, voou para pegá-la. Asa-branca pensou rápido. Viu algumas
penas de Gavião no chão (Mc 11. 24). Começou a lambê-las. Quando o Medonho
Gavião estava pronto pra dar o bote, Asa-branca disse como quem
não quer nada:
— Ah! Que delícia o Gavião corajoso que acabo de comer.
O Medonho vermelho parou de repente! Apavorado, saiu voando rapidamente,
agradecido pela sorte:
— Que Asa-branca braba! Por pouco não me devora também.
Um Corvo fuleiro viu tudo de longe. O catingueiro, contou a
verdade para o Gavião-caboclo. A ave medonha ficou furiosa e
disse pra si mesma:
— A Asa-branca vai pagar caro por isso!
A pequena Asa-branca viu que o Medonho Gavião vinha atrás
dela novamente com o Corvo junto. Se colocou de costas e enganou-o outra vez, dizendo
bem alto:
— Corvo catingueiro preguiçoso! Faz meia hora que o mandei me
trazer outro Gavião corajoso e ele não voltou ainda!
O Medonho Gavião voou mais rápido do que a primeira vez dali. A
espertinha Asa-branca aproveitou e fugiu para bem longe daquela
floresta perigosa.
O Pardal perguntou ao Saruê se ele conhecia a Asa-branca,
e ele disse que não:
— Então como você sabe se é verdade essa história? Disse o
Pardal.
— Num sei! Só sei que foi assim! Respondeu ele (Mt 7. 12).


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