Socialismo Verdadeiro, por Paulo [3/3]

 

O manuscrito prova que não é resultado de I.A.

O SOCIALISMO VERDADEIRO:
UMA LEITURA TEOLÓGICA DE FILIPENSES 2
À LUZ DA TRADIÇÃO APOSTÓLICA


SEGUNDA PARTE - CLIQUE AQUI.

[CONTINUAÇÃO]

8. A encarnação como princípio da transformação

Chegamos, então, ao ponto decisivo.

Os Apóstolos e os Pais Apostólicos compreenderam que aquilo que é verdadeiro precisa ser encarnado. Uma verdade que não encontra corpo permanece apenas como discurso. Uma ideia que não se torna prática não possui força transformadora suficiente. O cristianismo é singular justamente porque sua mensagem central não é uma abstração.

“E o Verbo se fez carne...”
João 1:14

A fé cristã é uma fé corpórea. Deus não permaneceu distante da condição humana. Ele entrou na história. Assumiu um corpo. Habitou entre nós. Serviu, sofreu, morreu e ressuscitou. E assim, constituiu um povo: sua igreja, seu corpo! (Ef 2. 19)

Por isso, a Igreja não é simplesmente uma associação de indivíduos que compartilham determinadas crenças. Ela é o corpo de Cristo!

 Essa afirmação possui consequências profundas para a compreensão da vida social cristã. O Evangelho não pretende simplesmente criar indivíduos melhores. Pretende formar uma nova humanidade. E essa nova humanidade encontra sua expressão histórica na comunidade daqueles que estão unidos a Cristo. Logo, nenhuma nova ideologia será nova e eficaz se não nascer da nova vida ofertada por Cristo no corpo de sua cruz!

9. O corpo de Cristo e a verdadeira comunhão

O verdadeiro ideal socialista só pode ser compreendido a partir do corpo de Cristo. A Igreja é chamada a ser uma comunidade na qual o amor deixa de ser conceito e torna-se prática.

O pão é repartido.

O necessitado é assistido.

O estrangeiro é acolhido.

O fraco é protegido.

O ferido é cuidado.

O poderoso é chamado à humildade.

O pobre não é tratado como invisível.

O outro deixa de ser objeto e passa a ser irmão. 

É justamente nesse ponto que a Igreja se torna uma alternativa civilizacional. Ela não propõe simplesmente uma nova teoria sobre a sociedade. Ela encarna uma nova maneira de viver. 

A Igreja é chamada a tornar visível aquilo que Cristo realizou invisivelmente na cruz: a reconciliação. O socialismo (produto direto da reconciliação) reconhecido em Cristo e no seio da sua Santa igreja (a encarnação de sua verdade e vontade), é real porque só ele tem poder para controlar as ambições. Em Cristo o socialismo produz generosidade em quem dá, modéstia em quem recebe e reconhecimento em quem testemunha. Tais coisas jamais foram encontradas nessa disposição em nada proposto pelos homens socialistas/comunistas ao longo da história.


10. O perigo de uma transformação sem Cristo

É nesse contexto que se torna necessário compreender a advertência joanina acerca da encarnação:

“Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus...”
1 João 4:2

Para João, negar a encarnação não é uma simples divergência doutrinária. É uma ruptura com o próprio centro da fé cristã. A encarnação afirma que Deus entrou concretamente na história e sem Cristo o socialismo é apenas fantasmagórico.

Portanto, qualquer projeto ideológico de transformação humana que pretenda produzir uma nova sociedade sem lidar com a realidade da encarnação de Cristo permanecerá inevitavelmente incompleto e totalmente frustrante.

O problema do socialismo não é apenas estrutural. É também espiritual.

O homem precisa de novas estruturas, mas precisa igualmente de um novo coração. Precisa de justiça, mas precisa também de santificação. Precisa de pão, mas precisa também da verdade. Precisa de transformação social, mas precisa igualmente de transformação interior. E somente Cristo e a igreja tem poder para atuar simultaneamente nas duas frentes!


Conclusão Encarnada.

O verdadeiro desafio da humanidade não é simplesmente encontrar uma teoria social perfeita. É encontrar o homem capaz de vivê-la. É nesse ponto que o Evangelho apresenta algo radicalmente diferente.

Cristo não veio apenas ensinar uma nova ética.

Ele veio inaugurar uma nova humanidade.

A verdadeira comunhão não começa no Estado.

Não começa na economia.

Não começa na política.

Começa no coração regenerado.

Passa pela relação com o outro.

Encontra sua expressão na comunidade.

E alcança sua plenitude no corpo de Cristo. 

O verdadeiro princípio social do Evangelho não é:

“O que posso tomar do outro?”

É: “O que posso entregar ao outro?”

Não é: “Como posso fazer com que o outro sirva à minha causa?”

É: “Como posso me tornar servo do outro?”

Não é: “Como posso distribuir aquilo que ele tem?”

É: “Como posso transformar aquilo que tenho em instrumento de amor?” 

Cristo é a resposta porque nele a verdade tornou-se carne.

Nele, a justiça tornou-se serviço.

Nele, o amor tornou-se entrega.

Nele, a humildade tornou-se grandeza.

Nele, a morte tornou-se vida.

E nele, homens diferentes se chamam “família”. 

“Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”. (Cl 1:27 | ACF)

Por isso, a grande contribuição da Igreja para a transformação da sociedade não consiste em reproduzir as ideologias de direita ou esquerda de seu tempo, mas em apresentar ao mundo uma humanidade reconciliada em Cristo, uma verdade encarnada.

Uma humanidade na qual o outro não é adversário.

O pobre não é estatística.

O necessitado não é instrumento político.

O poderoso não é soberano absoluto.

E ninguém vive exclusivamente para si. 

O Evangelho não promete apenas uma nova sociedade. Ele anuncia uma nova criação.

E essa nova criação já começou a ser manifestada no corpo de Cristo.

Assim, o verdadeiro socialismo cristão — entendido como comunhão, partilha, responsabilidade mútua, justiça e amor — não pode ser separado da pessoa de Jesus Cristo e de sua encarnação! Me faltaria tempo para ampliar essa verdade, com base na oração de Paulo em Efésios 3. 14- 21.

Sem Cristo, temos uma ideia.

Com Cristo, temos uma vida.

Sem encarnação, temos uma teoria.

Com encarnação, temos uma realidade.

Sem amor, temos ideologia adocicada.

Com amor, temos o que mata a fome. 

E sem o corpo de Cristo, toda tentativa de construir uma verdadeira comunidade socialista permanecerá incompleta. Para os Apóstolos e Pais da igreja tudo o que é verdadeiro pode ser encarnado. Sem encarnação, ideias não tem poder para transformar realidades e tempos.

Porque aquilo que Deus deseja transformar no mundo começa, antes de tudo, naqueles que permitem que Cristo transforme neles mesmos aquilo que o mundo jamais conseguirá transformar apenas por suas próprias forças: o coração!

 

 

Ney Gomes26 de maio de 2021. #bloggrãos

Blog Grãos, reduto da cultura escrita artesanal”.

 “Tudo o que passou é experiência. O agora é relacionamento e o que está por vir é desafio”.

 


 

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